Cristicidade-1

cristicidade

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Examinando a história do povo hebreu, desde seus inícios, tal como é relatada na Bíblia, destacamos um tema central: a revelação do Cristo. Todos os profetas hebreus, maiores e menores, conforme sua medida, demonstraram a onipresença do bem em meio à escuridão, desespero, carência, limitação, miséria e perigo, protegeram seu povo contra poderes físicos que lhe eram superiores; venceram dificuldades, a fim de que o povo pudesse receber, dentro de seu entendimento, educação e independência política.

Ainda que nenhum ponto da literatura hebraica (com a qual estou familiarizado), pareça reconhecer que na atuação de cada um desses profetas se revelava a atividade e presença do Cristo, isto é claríssimo. Todas as grandes demonstrações de suprimento, de proteção, de harmonia, que vemos nos livros do Antigo Testamento, não foram passes de mágica que fazem surgir algo do nada. Não! Eram reais demonstrações da presença do Cristo, sempre que a circunstância ou uma condição adversa o exigiam.

 

O PODER DE DEUS INDIVIDUALIZADO

 

Ressaltemos bem, não se trata do poder de um Deus manifestado de fora, mas de um divino poder que um indivíduo pode demonstrar. A demonstração individual do poder divino é uma evidência tangível da atividade do Cristo na consciência humana. Deus é UM, e Deus é Poder. A demonstração individual desse poder é o Cristo manifestado, o Verbo feito carne. Com esta compreensão, ao ler os registros dos vários profetas hebreus, notamos que eles estavam conscientes da onipresença do poder de Deus neles mesmos. Sabiam que estavam demonstrando individualmente, dentro de sua medida, esse poder.

O Novo Testamento é a continuação da história do povo hebreu, porém agora dirigido a um povo de mais alta dimensão de vida. Através um de seus rabinos – Jesus, o Cristo – foi ensinada uma nova forma de vida que não havia sido revelada nas Escrituras hebraicas. Por isso, fez-se necessária uma nova escritura, um Novo Testamento, para legar às gerações futuras u’a mais alta revelação do poder de Deus individualizado na consciência humana.

Deste modo, surgiu uma segunda revelação . Deus não é um poder acima dos outros poderes. Algo muito grande a pairar sobre alguém. Deus não guerreia as nações vizinhas. Agora começamos a compreender que esses poderes que o grande Deus Jeová combatia não eram poderes reais, senão algo que o povo aceitava como poder. Deus não é algo que vai destruir poderes inimigos ou proteger-nos de forças adversárias. O Novo Testamento revela que eles não são poderes inimigos.

Em o Novo testamento fala-se pouco do poder de um Deus fora de nós. A ênfase, agora, é posta sobre o poder de Deus demonstrado pelo homem Jesus ou através de João, o discípulo bem-amado e, posteriormente, por meio de Paulo. Ali aprendemos que Deus é uno mas também nos é ensinado que este Deus uno está dentro de nós: Seu reino e reinado estão igualmente em nosso íntimo.

Antes de Jesus, de vez em quando se fala de um Deus poderoso no homem, mas o ensinamento mosaico não considerou Deus como poder individualizado, tal como o Cristo ensina em o Novo testamento, onde é claramente revelado que “o Reino de Deus está dentro de nós”. No Novo Testamento Deus desce à filiação individual, à Cristicidade: a totalidade do Pai manifestando-Se como o Filho, na consciência individual. É o mesmo poder, mas agora dentro de cada um de nós.

Isso nos traz ao tema central da Cristicidade, que significa Deus manifestado no indivíduo. Toda demonstração do Deus-poder é uma revelação do Cristo, porque é Consciência individualizada, manifestando a Presença, o Poder e Ação de Deus. Se isso não fosse verdade, restar-nos-ia um Deus meramente transcendente, sentado lá em cima, enquanto nós ficaríamos cá em baixo, sentados, esperando que Seu Poder se exercesse sobre nós.

A atividade de Deus é exercida dentro da consciência individual. Homens tais como Abraão, Jacó, Moisés, Josué, Elias, Eiiseu, Isaías, Jesus, João e Paulo (para não alongar a citação|), manifestaram esse Poder para que o mundo visse como Deus-Poder é individualmente expresso. Isto esclarece o depoimento bíblico de que o Pai e o Filho são Um. Deus é o infinito Ser universal e a Cristicidade é a demonstração da Deidade. Sem a demonstração de Deus na experiência individual, atuando em tudo que nos concerne, não haveria a imanência tantas vezes testemunhada pelos iluminados.

 

Continua..>

 

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