Alimentados Pelo Teu Amor

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ALIMENTADOS PELO TEU AMOR

Fujiko Signs

Quando Jesus disse aos seus discípulos: “…não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber” ou vestir (Mateus 6:25), ele não estava promovendo a frugalidade, nem esperava que outros trabalhassem a fim de que suprissem os discípulos do que necessitavam. Jesus recomendou a seus seguidores que primeiro buscassem “o reino de Deus e a sua justiça” (Mateus 6:33) e, naturalmente, suas necessidades diárias seriam supridas. Ele não explicou de que maneira, mas sabia que elas seriam providas.

Por que Jesus tinha tanta certeza disso? O que “…não vos inquieteis com o dia de amanhã…” (Mateus 6:34) tem a ver com tornar-se um sanador como ele esperava que seus seguidores se tornassem?

Aquilo que Jesus compreendia como sendo as riquezas do reino de Deus é a solução para recebermos o que necessitamos, exatamente quando precisamos. Por exemplo, ele pediu aos discípulos para não levarem sandálias e agasalhos a mais, quando os enviou a curar. Por conseguinte, ele e seus discípulos foram alimentados com o que restou após uma colheita; também encontraram locais para se abrigarem, oferecidos por pessoas que reconheciam a riqueza espiritual que Jesus vivia. O que possuía ele, para que os outros fossem impelidos a dar dessa maneira? Ele tinha o tesouro de todos os tesouros, a verdade que comprovava o direito inato, o valor e a liberdade do homem como filho de Deus.

Quer fosse uma casa onde pudessem preparar a Páscoa ou um peixe com uma moeda na boca, o que Jesus necessitava não saía do seu bolso, mas de sua compreensão sobre sua origem espiritual. Jesus sabia que jamais poderia estar separado de seu Pai, o Princípio divino e fonte de recursos infinitos. Ele declarou repetidas vezes que ele e seu Pai eram um (ver João 10:30) e incentivava a compreensão desta unidade: “…estou no Pai e o Pai em mim…” (João 14:11).

O que Jesus compreendia como sendo as riquezas do reino de Deus é a solução para nós recebermos o que necessitamos, exatamente quando precisamos

Jesus dizia, em essência, que aquilo que seu Pai possuía, ele, igualmente, possuía também. O Pai cria infinitas ideias, que se manifestam para nós como alimento, dinheiro, amizade e oportunidades. Jesus via isso como uma lei espiritual irreversível, que o capacitava a vivenciar o reino de seu Pai-Mãe Deus. Tenho tido muitas provas dessa lei espiritual em ação em minha vida. Há alguns anos, comecei a trabalhar tão logo meu marido voltou à universidade, no mesmo ano em que nossa primeira filha nasceu. Durante minha gravidez, recebia ajuda financeira de um programa de subsídio do governo americano, o qual tinha o objetivo de garantir boa nutrição para mulheres grávidas. Fiquei chocada ao saber que fora qualificada para esse programa, uma vez que nunca havia me ocorrido que eu necessitaria de tal ajuda. Era orgulhosa demais para contar isso à minha família no Japão.

Com o passar do tempo, descobri que o curso do meu marido não terminaria em quatro ou cinco anos, mas que se estenderia por oito, nove ou dez anos, enquanto ele também trabalhava meio período. (A família dele chamava a universidade de “a escola ‘gradual’ do Mark”).

Não havia nenhuma maneira de economizar dinheiro, pois precisávamos usar, a cada mês, cada centavo do que tínhamos

Na época em que tive minha segunda filha, nós já havíamos mudado três vezes do Colorado para o Texas, de lá para a Luisiana e, finalmente, para a Pensilvânia, sempre para onde houvesse um programa de ajuda financeira disponível. Era um grande desafio, tanto emocional quanto financeiramente. De alguma maneira, conseguíamos administrar da melhor forma possível aquilo que, na melhor das hipóteses, poderia ser chamado de orçamento de baixa renda.

Na ocasião em que as crianças entraram para o ensino fundamental, muitos pais já haviam começado a economizar para que os filhos pudessem cursar uma faculdade. Eu nem sequer podia considerar tal coisa. Não havia nenhuma maneira de economizar dinheiro, pois precisávamos, a cada mês, usar cada centavo do que tínhamos. Já havíamos cortado muitas coisas, tais como: TV a cabo, lanchinhos, salgadinhos e refrigerantes. Tínhamos só o essencial. Quando quis dar às minhas filhas a oportunidade de frequentar a Escola Japonesa aos sábados, para ter aulas de música e dança, consegui pagar a mensalidade desses cursos, ajudando a professora ou trabalhando eu mesma como instrutora.

O pai continuava dizendo a elas que poderiam ir para a faculdade assim que conseguissem bolsas de estudo. Ele falava isso um pouco como brincadeira, mas acho que as meninas levaram essas palavras muito a sério.

Às vezes, ficava ressentida e zangada porque não via nenhuma saída dessa dificuldade financeira causada pelo compromisso acadêmico do meu marido. Achava isso muito injusto, ficava mentalmente desesperada e, até mesmo, sentia-me doente fisicamente.

As ideias contidas no livro Ciência e Saúde me ensinaram a ver meu ambiente familiar e minha identidade sob um ponto de vista espiritual e a espiritualizar meus pensamentos sobre tudo em minha vida

Entretanto, nessa ocasião, encontrei a Ciência Cristã. As ideias contidas em Ciência e Saúde me ensinaram a ver meu ambiente familiar e minha identidade sob um ponto de vista espiritual e a espiritualizar meus pensamentos sobre tudo em minha vida. Esse era um exercício completamente diferente, totalmente libertador.

Descobri que a Sra. Eddy havia lutado financeiramente em sua vida conjugal e, especialmente, quando começou a escrever Ciência e Saúde. O que mais me impressionou foram sua convicção e coragem inabaláveis, de compartilhar sua descoberta da Ciência Cristã com o mundo. Ela acreditava que a Ciência do Cristo, sobre a qual se fundamentava a obra de cura de Jesus, estava disponível a todos e era a forma mais consistente e confiável de fazer a humanidade progredir. Por meio de sua oração e dos passos que ela deu em sua missão contínua, adquiriu melhor saúde, um suprimento maior e realizações sem precedentes em uma época em que pouquíssimos direitos eram concedidos às mulheres na sociedade.

Quando resolvi me tornar Praticista da Ciência Cristã em tempo integral, além de minhas obrigações como mãe, eu tinha pelo menos quatro diferentes empregos de meio período. Certa manhã, quando orava com o “Pai Nosso”, esta frase saltou aos meus olhos: “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mateus 6:11). Em outras palavras, peça somente pelo suprimento do dia, não pelo de amanhã, da próxima semana ou para nossa aposentadoria. Vislumbrei que uma implicação mais profunda dessa frase estava fundamentada na compreensão de Jesus sobre a própria realidade na qual vivemos, a de que somos 100 por cento espirituais, com todas as necessidades já supridas.

Quando comecei a compreender mais profundamente minha conexão com Deus como a única fonte da minha felicidade e abundância, passei a ver recursos vindos de formas variadas e tangíveis

Sobre aquela frase do “Pai Nosso”, Eddy nos deu sua interpretação espiritual: “Dá-nos graça para hoje; alimenta as afeições famintas” (Ciência e Saúde, p. 17). Isso me mostrou que o amor é a chave do verdadeiro suprimento. Comecei a ver Deus como Amor e como a ajuda, a inteligência e o provedor verdadeiros. Pude expressar também mais essa qualidade de amor em minha vida. Quando comecei a compreender de maneira mais profunda, minha conexão com Deus como a única fonte da minha felicidade e abundância, recursos vieram de formas variadas e tangíveis. Por exemplo, veio sob a forma de pagamento pela oração e cura para as pessoas que me ligavam pedindo ajuda. Veio na forma de um inesperado contrato de trabalho para meu marido. Veio também sob a forma de moradia.

Para mim, foi um processo gradual e natural com relação a ficar disponível para o trabalho de cura pela Ciência Cristã em tempo integral, comprometida 24 horas por dia, 7 dias por semana, e não dividindo meu tempo com outras ocupações. Surgiu, então, uma oportunidade de trabalho para fazer traduções para a Sociedade Editora da Ciência Cristã. Um a um, fui deixando os vários empregos de meio período que tinha. Valorizei imensamente meu trabalho como Praticista da Ciência Cristã. Era tão especial e gratificante! A transição foi suave e natural, nada drástica, e foi o resultado de uma mudança gradual em meu pensamento.

Com relação à faculdade, nossas duas filhas receberam bolsas de estudo, que cobriram a maior parte dos custos com a educação delas. Além disso, devido à nossa reduzida poupança, fomos qualificados para ajuda financeira. O suprimento que minha família necessitava começou a surgir em grande quantidade, à medida que meu amor pela Ciência Cristã e minha compreensão de Deus se aprofundavam. O que tínhamos, utilizávamos com cuidado, e partilhávamos com aqueles que tinham menos. Fomos abençoados com dois hóspedes de outro país que moraram conosco quando necessitaram de um lar. Quanto mais administrávamos nossas finanças em termos de “sabedoria, economia e amor fraternal” (ver Manual dA Igreja, p. 77), mais confiantes ficávamos para receber o suprimento, diariamente e a cada hora.

A natureza do nosso Pai divino é emitir o bem tão naturalmente como uma fonte de luz emite sua luminosidade

Depois que fiz o Curso Normal para me tornar Professora de Ciência Cristã, não tinha nenhuma ideia a respeito do local onde eu iria ministrar meu primeiro curso sobre a Ciência Cristã, chamado Curso Primário, com 12 dias de duração. Mas eu estava tão disposta a crescer espiritualmente, a fim de servir à Causa da Ciência Cristã, que confiei plenamente na promessa bíblica: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tiago 1:17).

A natureza do nosso Pai divino é emitir o bem tão naturalmente como uma fonte de luz emite sua luminosidade. Volvi-me a esse Pai em oração e me tornei mais consciente de Sua natureza como infinita, todo amorosa e fundamentada em princípios espirituais. No suprimento dessa Fonte infinita não há nenhum excesso ou carência, mas apenas o suprimento satisfatório no devido tempo.

Essas orações foram atendidas. Logo, um apartamento ficou disponível para minha filha e mim, quando precisávamos ir a Tóquio para ajudar meus pais. Finalmente, foi-me concedido aquele espaço para que eu pudesse lecionar o Curso Primário. Sempre como um resultado da minha disposição de servir, era-me concedido aquilo de que necessitava.

Não estava mais ressentida com a “universidade gradual”, nosso estilo de vida migratório ou pelo fato de não possuir uma casa própria. O lar, para mim, é aquilo que estou fazendo, não um lugar ou uma estrutura. Quando passei a verdadeiramente valorizar essa ideia, tudo quanto necessito tem se tornado visível de maneiras que têm abençoado nossa família e nossos vizinhos, uma comunidade muito maior do que jamais imaginara!

Sou abençoada à medida que dedico minha vida a ajudar outros mediante a oração e a amar a Deus de todo o meu coração e de toda a minha alma. Quão verdadeiras são estas palavras do Apóstolo Paulo: “Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra” (2 Coríntios 9:8).

 

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Conexão Ininterrupta com Deus

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Conexão ininterrupta com Deus

Tony Lobl

Poderíamos dizer que Jesus prefigurou e suplantou em desempenho as maravilhas tecnológicas de hoje.

Mesmo com a impressionante modernidade do século XXI, as capacidades tecnológicas não podem competir com o registro que Jesus deixou de acessos instantâneos ao conhecimento necessário, da interatividade a distância, e de uma incessante e criativa fonte de resoluções de problemas. Respectivamente, por exemplo, discerniu a história pessoal de uma mulher que ele acabara de conhecer em uma fonte de água em Samaria, curou o filho de um homem sem estar frente a frente com o menino e alimentou milhares de pessoas com apenas um punhado de pães e peixes.

Qual era seu segredo? Jesus expressava o Cristo, a conexão constante e consciente que todos temos com a Mente divina, Deus. Como o Mestre disse: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). Qual é a natureza de tal conectividade crística? Ela tem de estar em toda parte ao mesmo tempo, prover todo o conhecimento necessário e estar instantaneamente acessível 24 horas por dia, todos os dias.

Algumas pessoas talvez digam que isso soa como a Internet! Exceto que a Mente divina é o Espírito infinito, todo o bem, enquanto que a Rede Mundial (Web: World Wide Web ou Internet), convenientemente assim chamada, inclui atrações materiais que podem enredar as pessoas. Entretanto, a conectividade tecnológica e a Mente não são mutuamente exclusivas, uma não precisa excluir a outra. A tecnologia é uma ferramenta que é útil, mas, algumas vezes, pode nos desencaminhar ou confundir. Encontrar o equilíbrio entre ficar o tempo todo conectado na tecnologia e saber quando dar um tempo dela é imperativo no mundo moderno. Como todas as coisas temporais, porém, nossa interação com os recursos tecnológicos pode ser guiada por Deus, ao invés de ser apenas uma simples expressão de preferência humana. Pode ser divinamente dosada (se estivermos imersos nela em demasia) e divinamente orientada (se estivermos hesitantes em usá-la).

Ao invés de se isolar em Atenas, o Apóstolo Paulo foi a público pregar o cristianismo

Como podemos alcançar o equilíbrio? A seguir, algumas ideias que ajudaram a ponderar minha interação com a conectividade ininterrupta dos dias de hoje:

Se, pelo uso da Internet não sobrar tempo para uma comunhão tranquila, ela está exigindo demais.

Um tempo a sós com Deus é precioso para nós como o era para Jesus. Apesar das inúmeras demandas sobre seu tempo, ele buscava isolar-se e subir a algum monte para sentir sua união com o Pai. Preservar um espaço tranquilo e tempo apropriados para a comunhão espiritual é parte vital no discipulado cristão, que não pode ser sacrificada pelo corre-corre das obrigações e oportunidades diárias, quer se esteja on-line ou off-line. Se nosso tempo conectado está excluindo nosso momento de nutrir a consciência com nossa união com Deus, provavelmente deveríamos reavaliar nossas prioridades. A competência para desempenhar muitas tarefas é uma grande habilidade, mas Deus exige um tempo diário da nossa atenção, sem distrações. Isso é para o nosso próprio bem, não para o dEle!

A oração leva à ação, e os campos de ação atuais incluem o ciberespaço

Seria possível que se manter em quietude por muito tempo possa excluir ações apropriadas que deveríamos tomar, incluindo interações on-line? Certamente que é importante ficar atento às confirmações e orientações de Deus, a fim de alcançarmos os mesmos resultados de Jesus, mas ele descia dos montes a fim de ficar disponível para a multidão que necessitava de cura.

O Apóstolo Paulo seguiu o precedente de Jesus. Em vez de se isolar em Atenas, enquanto esperava pela chegada de dois companheiros, ele foi a público pregar o cristianismo. Apresentava corajosamente seu testemunho nas sinagogas, expunha suas ideias nos mercados movimentados, compartilhava seus pensamentos com filósofos e respondia às perguntas minuciosas do Conselho no Areópago (ver Atos 17).

Podemos ficar atentos para saber se esse compartilhar deve incluir o uso de meios tecnológicos, além de interações face a face

Quem era o público de Paulo? A Bíblia o descreve como “atenienses e estrangeiros”, que eram pessoas que “…não cuidavam senão dizer ou ouvir as últimas novidades” (Atos 17:21), e com quem Paulo interagia. Isso soa como muitos dos blogueiros de hoje, Twitteiros e espectadores do Youtube, e representa muito o diálogo entre os mais de 500 milhões de usuários do Facebook. Mas, se Paulo ainda estivesse presente hoje, seria difícil imaginá-lo não conectado a essa conversa global, explorando meios sociais de comunicação em busca do seu potencial, como uma ferramenta para aqueles “prontos a compartilhar, desejosos de comunicar” (ver 1 Timóteo 6:18, conforme a Bíblia King James).

As boas notícias sobre o cristianismo científico precisam ser encontradas on-line também.

Poderíamos argumentar que o empenho inabalável de Paulo o tornava um tipo único. No entanto, todos têm um propósito espiritual, uma razão sagrada para existir. Jesus deixou claro este propósito: Amar a Deus com todo o coração, alma, mente e força, e amar o próximo como a si mesmo (ver Marcos 12:30-31). Para aqueles que vivenciaram o potencial de cura da Ciência Cristã, é parte natural desse amor fraternal compartilhar com os outros as boas notícias que os abençoaram. À medida que nos esforçarmos para honrar o chamado de Jesus “de graça dai” do que recebeste gratuitamente (ver Mateus 10:8), podemos ouvir se esse compartilhar deve incluir a utilização de meios tecnológicos, além de interações face a face.

Em particular, aqueles que valorizam a Ciência Cristã devem saber que existem outros que se sentem impelidos a desacreditar do cristianismo em geral, e/ou a Ciência Cristã especificamente, e que usam frequentemente a tecnologia para promover ainda mais seus objetivos. Por que não deveria essa mesma tecnologia ampliar também “…tão grande nuvem de testemunhas…” (Hebreus 12:1) que existe para falar com eficácia da oração cientificamente cristã que cura?

Estou “conectado” pelas razões corretas?

Se nossas orações nos levam a desempenhar um papel na tecnologia de hoje, possibilitando uma conversação global, é útil considerar a razão pela qual Paulo se envolveu em um diálogo com o público de sua época. Ele não estava ali para autopromoção ou autorrealização, mas porque “…o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade” (Atos 17:16). Ele se torturava ao ver as pessoas mal orientadas sobre a natureza de Deus e cegas ao amor que Ele tem por elas. Paulo queria muito que elas enxergassem o valor de se concentrar em “coisas novas”, e isso incluía uma compreensão do cristianismo primitivo que torna possível que o “Deus desconhecido”, seja conhecido.

Por que a tecnologia não pode ser uma das formas de atender a essa demanda?

Por que não poderia o interesse entre os “atenienses e estrangeiros” antenados de hoje incluir igualmente a notícia da restauração do cristianismo primitivo, explanada em Ciência e Saúde, com sua praticidade comprovada por seus leitores? O livro inclui a avaliação de Mary Baker Eddy, de que “Milhões de mentalidades sem preconceitos — que com simplicidade procuram a Verdade, viandantes fatigados, sedentos no deserto — aguardam, atentos, o repouso e o refrigério. Dá-lhes um copo de água fresca em nome de Cristo, e nunca receies as conseqüências” (p. 570). Por que a tecnologia não pode ser uma das formas de atender a essa demanda?

A natureza mista do discurso da Internet não tem de nos tirar do rumo.

Uma razão pela qual a tecnologia talvez seja considerada inadequada para um propósito sagrado é a natureza, às vezes descortês, de seu discurso, especialmente no que diz respeito à religião. No entanto, algumas tiradas não deveriam necessariamente nos surpreender. Na verdade, Mary Baker Eddy descreveu a recepção da Verdade desta maneira: “Que importa se o velho dragão lançar um novo dilúvio para afogar a idéia-Cristo?” (Ciência e Saúde, p. 570). Entretanto, ela também falou sobre essa versão enfática daquilo que a Bíblia chama de mente carnal, o ódio materialista da Verdade, que “…não poderá abafar tua voz com o seu rugido, nem afundar novamente o mundo nas águas profundas do caos e da antiga noite” (Ibidem, p. 570).

Toda verdadeira comunicação independe da matéria

Uma forma de o “dragão” tentar abafar a voz instruída para enfatizar a verdade é intimidando-a ao silêncio. Isso é verdade tanto em espaços comunitários, perto de nossas casas, como também na comunidade eletrônica conectada em todos os cantos do globo. Não é confortável ser submetido a alguns diálogos digitais muito rudes que podem ocorrer, mas provavelmente também não deve ter sido para Paulo no Areópago. Isso não deteve seu amor, nem pode deter o amor que manifesta a voz da Verdade hoje.

Tenho um papel a desempenhar?

Este trecho de Ciência e Saúde declara: “A intercomunicação se faz sempre de Deus para Sua ideia, o homem” (p. 284). Toda verdadeira comunicação então independe da matéria, e é a Mente divina manifestando com exatidão o que precisamos saber, diretamente a cada um de nós. Cada pensador espiritual pode, em humilde oração, dar testemunho dessa realidade eterna e universal, como sendo aplicável onde as comunicações parecem vir por meio de uma infraestrutura digital complexa e desenvolvida.

Como Jesus e o Apóstolo Paulo, nossa união consciente com o Amor é a melhor coisa que temos a oferecer. Isso é verdadeiro, quer transmitamos o amor crístico, pessoalmente ou pela Internet, via celular, ou pelo Skype, quer fazendo amizade com um vizinho em nossa rua ou fazendo um amigo no Facebook, sussurrando uma verdade espiritual ao ouvido de alguém ou enviando-a por e-mail, abraçando um amigo ou enviando-lhe uma mensagem de texto. Mediante nossa união com a Mente, que tudo sabe, temos a intuição espiritual para discernir se o tempo que usamos a Internet é suficiente ou não. Pela nossa obediência à orientação que o Amor nos indica em cada situação, a cura acontecerá.

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Uma Herança Digna…

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UMA HERANÇA DIGNA DE SER REIVINDICADA

Robin Hoagland

Na opinião da maioria, meu nariz era igual ao de minha tia-avó Dorothy. Esse foi o consenso geral de uma daquelas conversas sem muita coerência durante reuniões de família, quando eu era ainda criança. Não que esse fosse um tópico importante para se tratar à mesa, devo admitir. Entretanto, parecia haver um interesse coletivo na razão pela qual esse meu traço fisionômico arrebitado, em particular, fosse tão diferente do perfil de meus pais. Portanto, de forma imprecisa, e em meio a fugazes lembranças e uma ou duas fotos antigas, minha individualidade foi explicada como hereditária.

O nariz de minha tia, as mãos iguais às do meu avô, as sardas de alguém que havia vindo de navio da Inglaterra séculos atrás. Eu parecia um prato onde juntaram todas as várias sobras depois de um piquenique em família.

Essa não é uma perspectiva muito gratificante, mas é muito frequente.

A ascendência tem sido há muito tempo uma maneira de identificar os traços dos indivíduos, das famílias, das tribos e das nações. Ao longo do tempo, a teoria por trás dela tem se expandido, retraído, sido revisada e reelaborada, a fim de acompanhar a maneira como pensamos sobre nós mesmos. Extensos pergaminhos de linhagem real, escritos à mão, deram lugar a sequências de códigos bioquímicos gerados por computador. Os registros de escribas sacerdotais foram transferidos a geneticistas com seus jalecos de laboratório.

No entanto, as premissas subjacentes à hereditariedade vieram para ficar e estamos presos a uma extensa linhagem de progenitores humanos, cada um passando adiante não apenas suas habilidades, mas também suas deficiências. Virtualmente, todas as disfunções, atrasos no desenvolvimento e doenças são hoje definidos em termos de um elo genético. Consequentemente, enquanto a origem de nossa identidade for buscada na matéria física, a panaceia permanece elusiva. Talvez toda a premissa de sofrimento humano deva ser reexaminada.

“A base das discórdias dos mortais é um conceito errado acerca da origem do homem”, escreveu Mary Baker Eddy, que foi a pioneira do sistema espiritual de cura na Ciência Cristã. “Começar certo é acabar certo” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 262).

Temos uma escolha a fazer. Começar pela matéria ou começar pelo Espírito. É como ficar entre dois trilhos de trem. Uma linha que chega e a outra que parte. A divergência não poderia ser mais extrema.

O homem não é uma constituição física limitada com uma vida útil limitada, mas é uma ideia eterna

Tomemos as palavras genética e gênesis. Ambas provêm da mesma raiz grega para “origem” ou “começo”. Entretanto, enquanto a genética se aprofunda na matéria em busca de uma sinopse física da nossa identidade, o gênesis nos conduz à Bíblia e suas palavras de abertura, elevando o pensamento para cima e para fora da matéria: “No princípio, criou Deus [Espírito] os céus e a terra” (Gênesis 1:1).

Será que estamos de volta à discussão infindável sobre evolução versus criacionismo?

Não. Nós não estamos diferenciando duas teorias sobre a origem de um universo material. O primeiro capítulo do Gênesis é uma bela e poética expressão da grandeza e inteligência de uma criação consistente com a natureza de Deus. Revela uma progressão do simples ao complexo, dentro do contexto do Espírito. É inteiramente boa e o homem (tanto macho quanto fêmea) é a imagem e semelhança de Deus. Portanto, como o semelhante produz o semelhante, o Espírito produz o homem espiritual. O homem não é uma constituição física limitada, com uma vida útil limitada, mas é uma ideia eterna, a expressão perpétua da sabedoria e amor infinitos de Deus.

Ao identificarmos a nós mesmos como o efeito espiritual de uma causa espiritual, podemos encontrar cura e restauração das condições e circunstâncias materiais, mesmo nas mais inflexíveis. Há uma bela ilustração disso no Evangelho de João, quando Jesus e seus discípulos se defrontam nas ruas de Jerusalém com um homem cego de nascença. Segundo a teoria amplamente aceita da época, somente uma ofensa contra Deus poderia causar defeitos congênitos.

A cegueira do homem era inconsistente com a natureza de Deus que tudo sabe e tudo vê

Em seguida, seus seguidores perguntaram: “Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego”? (João 9:2). De fato, eles estavam perguntando: “Qual a origem da deficiência desse homem”?

Jesus não lhes deu a resposta que esperavam, mas disse: “Nem ele pecou, nem seus pais” (João 9:3). A situação não era sobre a culpa (nem sobre os subsequentes sentimentos de culpa que podiam ter oprimido aquela família). Era simplesmente uma oportunidade, disse Jesus, para que fosse constatado o poder sanador de Deus.

De uma perspectiva espiritual, a cegueira do homem era inconsistente com a natureza de Deus, que tudo sabe e tudo vê. O homem, como a imagem e semelhança divinas, reflete a natureza de Deus. O que definia o homem, a matéria ou o Espírito? Para demonstrar qual origem deveria ser reverenciada, Jesus cuspiu na terra, passou a mistura barrenta nos olhos do homem e lhe pediu que os lavasse bem. Quando o homem obedeceu, descobriu que podia ver.

Não demorou para que esse homem compreendesse que a autoridade de Deus estava em ação no ministério de Jesus. Quando o homem confessou isso publicamente, foi ridicularizado e rejeitado pelas autoridades do Templo. Uma maravilhosa cura havia ocorrido: “Desde que há mundo, jamais se ouviu que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença” (João 9:32). Entretanto, o sistema em vigor da época desconsiderou a explicação espiritual da cura do homem e repudiou o que Jesus oferecia à humanidade.

Nada da bondade e do poder de Deus se perdeu nas gerações seguintes desde Jesus

A cegueira pode assumir muitas formas. Ela pode rejeitar a evidência que não está de acordo com suas próprias teorias. A ascendência é uma área de especulação que revela nossos mais acalentados preconceitos. A própria linhagem de Jesus era controversa no meio dos judeus, que estavam esperando pelo Messias prometido. Seria ele um nazareno? O filho de um carpinteiro? Poderia ele realmente reivindicar que era da semente de Davi e assim cumprir a profecia?

O próprio Jesus instou uma redefinição radical de linhagem, quando recomendou: “A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus” (Mateus 23:9). Reconhecer Deus como o único Pai-Mãe verdadeiro, recoloca a herança junto às linhagens espirituais, e descobrimos que todos nós somos “co-herdeiros com Cristo” (ver Romanos 8:17), com todas as bênçãos e glórias que esse fato traz.

Nada da bondade e do poder de Deus se perdeu nas gerações seguintes, desde que Jesus caminhou pelas empoeiradas ruas de Jerusalém. Purificar a nós mesmos de um senso material acerca da nossa própria história, como fez o homem cego, traz cura para as condições hereditárias de hoje também.

Comecei a compreender o que significava reivindicar a Deus como meu Pai-Mãe

Em minha própria vida, não foram apenas as características físicas que foram levadas em conta entre as coisas que eu havia herdado. Como muitos parentes antes de mim, comecei a sofrer desde a adolescência de sintomas do que hoje é conhecido como distúrbio bipolar. Essa debilidade trouxe um grande problema para toda minha família. O alcoolismo e o suicídio faziam parte de seu trágico legado. Não havia cura pela medicina para esse mal. Disseram-me que ele fazia parte de quem eu era, algo com o qual teria de conviver e que podia, até certo grau, ser abrandado por meio de terapias diversas.

Ao saber disso, minha mãe sugeriu que eu pesquisasse a cura pela Ciência Cristã. Na ocasião, eu não via como a oração poderia mudar a identidade de alguém. Mas eu gostava muito das histórias de redenção e restauração na Bíblia e do modo como a Ciência Cristã as explicava, explicação essa fundamentada na lei divina, desconsiderando o que as pessoas simplesmente supunham que fosse lei. Com Deus, todas as coisas são possíveis.

No terceiro ano da faculdade, enquanto pesquisava essas ideias metafísicas em maior profundidade, comecei a compreender o que significava reivindicar a Deus como meu Pai-Mãe, minha origem, meu princípio, meu gênesis. Toda a plenitude, equilíbrio, inteireza, beleza, paz e a alegria inabalável que pertencem a Deus, pertenciam a mim como Sua filha. O semelhante produz o semelhante. Essa era a minha verdadeira herança e foi uma conclusão tão natural que eu realmente não notei a mudança que estava ocorrendo em mim. Entretanto, sentia esse profundo amor por Deus como meu verdadeiro Pai-Mãe, gentilmente me reorientando de muitas maneiras construtivas.

Na Ciência Cristã, o DNA perde seu terror como o árbitro de nossas capacidades e incapacidades

Quinze anos mais tarde, eu estava conversando com uma vizinha, cuja filha adotiva, uma de nossas babás favoritas, acabara justamente de receber o diagnóstico de distúrbio bipolar. Os sintomas que ela descreveu pareciam completamente estranhos para mim, e eu simplesmente acenei a cabeça com compaixão. Foi somente quando entrei em casa que me lembrei de repente que eu certa vez fora identificada com esse problema. Fiquei perplexa ao perceber que eu não havia pensado nisso nenhuma vez, desde a faculdade. O distúrbio tinha simplesmente desaparecido e nunca mais retornara. Alguém que tivesse me conhecido nos anos seguintes acharia absurdo que eu pudesse alguma vez ter sofrido disso. Rapidamente compartilhei tudo isso com minha vizinha que, pela primeira vez, sentiu-se encorajada pela possibilidade de libertação para sua filha também.

“Na Ciência o homem é o descendente do Espírito”, explica Ciência e Saúde. “O belo, o bom e o puro constituem sua ascendência” (p. 63). Que antídoto para uma sentença de condenação perpétua devido a um distúrbio genético! Na Ciência Cristã, o DNA perde seu terror como um árbitro de nossas capacidades e incapacidades. Por meio do raciocínio espiritual, podemos redefinir essa sigla em inglês como “Does Not Apply” (cuja tradução é “Não se aplica”) e em português talvez pudéssemos redefini-la como Deus Não Admite. Os filhos do Espírito não têm nenhum código material para limitá-los.

Será que isso significa que nós descartamos tudo o que recebemos dos nossos pais humanos? Se fizéssemos isso, correríamos o risco de violar o Quinto Mandamento: “Honra teu pai e tua mãe” (Êxodo 20:12). Ao contrário, o reconhecimento da herança espiritual de cada um de nós, incluindo nossos pais, concede-nos o maior tributo de todos. Ao levar avante o exemplo deles, ou seja, nada a não ser o melhor que sabemos deles, “o belo, o bom e o puro”, asseguramos um legado de honra duradoura, de geração a geração. Aquilo que não pertence primeiro a Deus, não pertence a eles também. Tem de ser deixado para trás sem nenhum nome e sem ninguém para reivindicá-lo agora … ou em alguma data futura.

Recebemos nossa herança diretamente de Deus

Aquelas árvores genealógicas, que traçam uma repetição interminável da vida humana e da morte, são substituídas pela árvore espiritual da única Vida. As folhas dessa árvore, explica o livro do Apocalipse: “são para a cura dos povos” (ver Apocalipse 22:2).

Tantos dos conflitos do mundo têm suas raízes em feudos tribais, ou seja, disputas entre famílias, e continuam ao longo dos séculos. Com um único Deus, uma única Origem ou Pai-Mãe, essas antigas disputas entre nós desaparecem. Recebemos nossa herança diretamente de Deus. Ela não fica diluída, deslocada nem desonrada, ao longo do caminho. Está intacta e não diminuída. Todos recebem a porção completa do Amor infinito, inexaurível.

A igreja cristã primitiva se deleitava com um senso de família não mais fundamentado no parentesco humano, na cidadania ou cultura. Os participantes se davam conta de que reivindicavam uma herança espiritual que os libertava de um extenso espectro de deficiências físicas, injustiças sociais e fraquezas morais. O Apóstolo Paulo escreveu exuberantemente: “Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus. … Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa” (Gálatas 3:26–29).

Essa é a herança que não pode ser definida pelas gerações ou confinada pela genética. Ela oferece abundância espiritual ilimitada que libera todo o nosso potencial. Portanto, o que minha tia-avó Dorothy e eu realmente temos em comum é o mesmo Pai-Mãe, o Amor divino, e um legado em comum de Vida espiritual que individualiza para sempre cada um de nós como a expressão única do único Deus infinito!

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O Novo Nascimento

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O

NOVO NASCIMENTO

Mary Baker Eddy

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São Paulo refere-se ao novo nascimento como: “a espera da adoção, a redenção do nosso corpo”. O grande Profeta Nazareno disse: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus”. (Mat. 5:8) nada que não seja a espiritualização—sim, a cristianização mais elevada—de pensamento e desejo, pode dar a verdadeira percepção de Deus e da Ciência divina, que resulta em saúde, felicidade e santidade.

O novo nascimento não é obra de um momento. Começa com momentos e prossegue por anos; momentos de submissão a Deus, de confiança como a de uma criança e de prazerosa adoção do bem; momentos de auto-abnegação, auto-consagração, esperança celestial e amor espiritual.

O tempo pode dar início ao novo nascimento, mas não pode completá-lo; isto é obra da eternidade, pois o progresso é a lei da infinidade. Só por meio de dolorosa agonia da mente mortal pode a alma, como sentido, ser acalmada, e o homem despertar à Sua semelhança. Que pensamento iluminado de fé! Que os mortais podem despojar-se do “velho homem”, até descobrir-se o homem como imagem do bem infinito que denominamos Deus, e apareça a plenitude da estrutura do homem em Cristo.

No homem mortal e material, a bondade parece estar só no embrião. Através do sofrimento, por causa do pecado e do gradual desaparecimento do sentido mortal e material do homem, o pensamento desenvolve-se em um cristianismo nascente, e, alimentando-se inicialmente com o leite da Palavra, ingere as doces revelações de uma nova Vida e um novo Amor mais espirituais. Estes alimentam a ávida esperança, satisfazem em grau elevado a ânsia por imortalidade e de tal forma consolam, alegram e abençoam o homem, que exclama: Nesta minha infância, isto é uma parcela suficiente do céu que desce à terra. Porém, a medida que alcancemos a maioridade no cristianismo, descobrimos quanto falta e que ainda é necessário para tornar-nos totalmente semelhantes a Cristo, que dizemos: O Princípio do Cristianismo é infinito; ele realmente é Deus; e este Princípio infinito requer infinitas exigências do homem, exigências que são divinas, não humanas; e a habilidade do homem para satisfazê-las provém de Deus, pois, sendo sua imagem e semelhança, o homem deve refletir o pleno domínio do Espírito—e com isto a sua supremacia sobre o pecado, a doença e a morte.

Isto significa, pois, o despertar do sonho da existência da vida na matéria, a grande realidade de que DEUS É A ÚNICA VIDA; em conseqüência do que, devemos admitir um conceito mais elevado tanto de Deus como do homem. Devemos reconhecer que Deus é infinitamente mais do que uma pessoa, ou uma forma finita, possa conter; que Deus é uma divina Totalidade, é tudo, uma oni-impregnada inteligência e Amor, um divino, infinito Princípio; e que o cristianismo é uma Ciencia divina. Esta recém-despertada consciência é totalmente espiritual; emana da Alma e não do corpo, e é o novo nascimento que começa na Ciência Cristã.

Agora, querido leitor, pausemos juntos por um instante para contemplarmos seriamente esta recém-nascida alteza espiritual, pois, esta afirmação requer demonstração.

Aqui estas frente a frente com as leis do Espírito, infinito, contemplando pela primeira vez o irreversível conflito entre a carne e o Espírito. Te encontras ante as horríveis detonações do monte Sinai. Ouves e registras os estrondos da lei espiritual da Vida que se opõe a lei material da morte; a lei espiritual do Amor, que se opõe ao sentido material do amor; a lei da harmonia e do bem onipotentes, oposta a qualquer suposta lei de pecado, doença ou morte. E, antes que se tenham extinguidas as chamas neste monte da revelação, te descalças, tal como o patriarca de antanho, — pões de lado os teus impedimentos materiais, opiniões e doutrinas humanas, renuncias à tua religião mais material, com os seus rituais e suas cerimonias, livras-te da tua “matéria médica” e higiene, por serem piores do que inúteis—para sentar-te aos pés de Jesus. Nesse caso, te inclinas humildemente ante o Cristo, a idéia espiritual que o nosso grande Mestre nos trouxe do poder de Deus para curar e salvar. Então acontece que contemplas pela primeira vez o Principio divino que redime o homem da maldição do materialismo, — pecado, doença e morte. Este nascimento espiritual revela à compreensão extasiada uma concepção mais elevada e mais sagrada da supremacia do Espírito, e do homem como Sua semelhança, por meio da qual o homem reflete o poder divino para curar os enfermos.

Um nascimento material ou humano é a aparição de um mortal, não da de um homem imortal. Este nascimento é mais ou menos prolongado e doloroso, de acordo com as circunstancias oportunas ou inoportunas, segundo às condições normais ou anormais que o acompanham.

Com o nascimento espiritual, a existência primitiva, impecável e espiritual do homem desponta no pensamento humano, — através da agonia da mente mortal, de uma esperança frustrada, do perecível prazer e das se acumulando dores dos sentidos, — mediante o qual se perde o conceito de si mesmo como matéria, e se adquire um sentido mais verdadeiro do Espírito e do homem espiritual.

A purificação ou a repetido batismo pelo Espírito, desenvolve, passo a passo, a semelhança original do homem perfeito, e apaga o signo da besta. “O Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo filho a quem recebe” (Hebreus 12:6); portanto, regozije-se na tribulação e acolha com alegria estes sinais espirituais do novo nascimento sob a lei e o evangelho do Cristo, a Verdade.

As proeminentes leis que ativam o nascimento na divina ordem da Ciência, são estas: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:3); e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mat. 19:19).

Traduzidos para a nova língua, ao seu sentido espiritual, estes mandamentos de infinita sabedoria significam: Amarás unicamente e Espírito, em toda a sua qualidade deifica, ainda que em substancia, e não o seu oposto; te reconhecerás unicamente como filho espiritual de Deus, e reconhecerás o verdadeiro homem e a verdadeira mulher, os todo harmoniosos “macho e fêmea”, como de origem espiritual, o reflexo de Deus, — portanto, como filhos de um mesmo Pai, — no qual e pelo qual Pai, Mãe e filho são o Princípio divino e idéia divina, sim, o divino “Nós”—um no bem e o bem em Um.

Com este reconhecimento, o homem jamais poderá separa-se do bem, Deus; e abrigará, necessariamente, um amor constante para com o seu próximo. Só quando admitimos o mal como sendo uma realidade, entrando consequentemente num estado de maus pensamentos, acreditamos poder separar o bem-estar de um homem daquele de toda a família humana e, desta forma, tentar separar a Vida de Deus. Este é o equívoco que nos causa muito arrependimento e que deve ser superado. Não saber o que nos está abençoando, mas acreditar que algo que Deus envia é injusto—ou que Ele ordena aos Seus emissários a causar-nos injustiça—está errado e é cruel. A inveja, os maus pensamentos, maledicência, a avareza, a luxúria, o ódio e a malícia sempre fazem mal, quebrarão a regra da Ciência Crista e impedirão a sua demonstração; mas a vara de Deus e a obediência exigida de Seus servidores, para levar a cabo o que Ele os ensina, jamais são inclementes, jamais imprudentes.

A tarefa de curar os doentes, é muito mais fácil do que ensinar o Princípio divino e as regras da Ciência Crista de tal forma que elevem os afetos e os motivos dos homens, para que aceitem estas regras e este Princípio e os demonstrem na vida diária. Aquele que escolheu o nome de Cristo, que virtualmente aceitou as exigências divinas da Verdade e do amor na Ciência divina, diariamente se afasta do mal; e todos os esforços iníquos de supostos demônios, jamais podem mudar o curso daquela vida que flui invariavelmente a Deus, sua fonte divina.

Porém, o mais espantoso pecado que os mortais podem cometer é usar o libre do céu para come ele cobrir a iniquidade. Eu teria mais confiança em um médico honesto que, com o seu tratamento atua de acordo com as suas declarações e seus conhecimentos, segundo o seu mais alto critério, para curar-me, do que poderia ou quereria Ter em um hipócrita lisonjeiro ou um mal-praticista mental.

Entre as forças mentais centrípetas e centrífugas de gravitações materiais e espirituais, nós entramos no ou saímos do materialismo, ou seja, do pecado, e escolhemos assim o nosso rumo e seus objetivos. Qual, então, será a nossa escolha: o pecaminoso, material e perecível, ou o espiritual, proporcionador de alegria e eterno?

O sentido espiritual da Vida e seus nobres propósitos são em si mesmo um benção que proporciona saúde e inspira regozijo. Este sentido da Vida ilumina a nossa senda com o esplendor do Amor divino; cura o homem espontaneamente, moralmente e fisicamente—exalando o aroma das palavras de Jesus: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” (Mateus 11:28).

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Traz Cura o Que Pedimos em Oração?

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TRAZ CURA O QUE PEDIMOS

EM ORAÇÃO?

Harry N. Levinson

Em poucas oportunidades sentimos tanto nossa proximidade com Deus, como quando obtemos uma cura por meio da oração. Milhares de pessoas podem testificar que foram curadas pela oração. Como estudantes da Bíblia, que desejam aprender mais sobre essa oração que cura, talvez precisemos considerar a pergunta: “O que é que pedimos em nossa oração?”

Se nossa oração a Deus não passar de uma súplica para que Ele nos cure, não é muito diferente de pedir a um ser humano que nos dê alguma coisa que queremos. Mas, como aprendemos nas Escrituras que Deus e Espírito infinito, que Ele é a Mente divina que Cristo Jesus expressou, sabemos que Deus deve ser infinitamente diferente do mortal, da pessoa finita. Assim, para orar de acordo com as Escrituras, temos que orar a partir de um ponto de vista novo, realmente com um sentido espiritual acerca dEle, como o Deus único e infinito, que criou o homem à Sua própria imagem. No capítulo “A Oração”, do livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde, a Sra. Eddy escreve: “O mero hábito de suplicar à Mente divina, assim como se suplica a um ser humano, perpetua a crença de que Deus seja humanamente circunscrito – erro que impede o desenvolvimento espiritual.” (Ciência e Saúde, p. 2)

Certa noite eu tentava curar-me de uma gripe que havia se agravado durante o dia. Orei diligentemente, afirmando a verdade aprendida na Ciência Cristã de que, por ser o Espírito, Deus, perfeito e harmonioso, eu deveria refletir essas qualidades naquele exato momento, como Sua imagem espiritual. Mas não obtive cura imediata. Estava grato por sentir alívio, e como antes já havia vencido pela oração uma enfermidade semelhante, tive fé e convicção de que poderia vencê-la também naquele momento. Continuei a estudar e a orar algum tempo e depois fui dormir. Acordei no meio da noite sentindo-me mal e então levantei-me para estudar a Bíblia e Ciência e Saúde.

Desta vez, orei para ver o que eu necessitava saber. A Bíblia fala-nos, nas palavras de nosso Mestre, Cristo Jesus: “Deus, o vosso Pai, sabe de que tendes necessidade, antes que lho peçais.” (Mateus 6:8) Eu sabia que a única Mente divina estava revelando a verdade espiritual que eu necessitava perceber. Tomei o livro Ciência e Saúde novamente, buscando as páginas iniciais sobre a oração, para esclarecer o meu pensamento. Li a citação já mencionada sobre “suplicar” a Deus e o que chamou minha atenção foi a advertência de que trata-se de um “erro que impede o crescimento espiritual”. Mais do que tudo, mais do que a própria cura, eu não queria que houvesse impedimento ao meu crescimento espiritual. Então li a citação novamente e, dessa vez perguntei: “Será que estou de alguma forma implorando a Deus para ser curado?” Honestamente, eu não achava que estivesse. De repente, percebi que, embora afirmasse a perfeição de Deus e do homem, como Sua imagem, eu estava, ao mesmo tempo, tão desejoso de livrar-me do sofrimento, que inconscientemente “suplicava” por alívio e cura.

Enquanto procurava saber quais as minhas necessidades reais, encontrei no mesmo capítulo sobre a oração estas linhas explicativas: “Aquilo de que mais necessitamos, é a oração motivada pelo desejo fervoroso do crescer em graça, oração que se expressa em paciência, humildade, amor e boas obras.” E adiante, na mesma página: “Pedir simplesmente que possamos amar Deus nunca nos fará ama-Lo; mas o anseio por sermos melhores e mais santos, expresso na vigilância diária e no esforço de assimilar mais do caráter divino, há de nos moldar e formar de novo, até que despertemos na Sua semelhança.” (C&S, p.4)

Ponderei sobre esses trechos e reafirmei a unidade do homem com Deus, desta vez com a grata compreensão de que eu realmente era aquele homem espiritual que expressava perfeita harmonia, bondade e Amor. De repente percebi que não sentia mais dor e não estava mais com o peito congestionado. Voltei para a cama livre e sereno, regozijando-me pela compreensão e pela inspiração que havia tido. No dia seguinte todos os vestígios da enfermidade desapareceram completamente. Eu sabia que tinha aprendido uma lição importante sobre a oração na Ciência Cristã. 

 

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Fidelidade

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FIDELIDADE

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Marian English

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A fidelidade a um Deus único, o Bem,

exige uma oração que de tal maneira

ocupe o pensamento

com a consciência de Sua Presença,

de modo que não possa

ser este invadido por nada

dessemelhante de Sua natureza Infinita.

 

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Como é Que a Oração Cura…

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COMO É QUE A ORAÇÃO CURA

PROBLEMAS DE SAÚDE?

Linda Jo Beckers

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Uma amiga e eu tínhamos saído para jantar, certa noite, e após uma refeição agradável, estávamos indo para o próximo compromisso. Havíamos feito alguns quilômetros de estrada, quando pedi à minha amiga que parasse o carro, pois eu estava com tantas dores que os solavancos do carro estavam se tornando insuportáveis. Aparentemente, eu havia comido alguma coisa estragada no jantar. Encontramos um lugar sossegado onde parar por alguns minutos.

Um exemplar de Ciência e Saúde, da Sra. Eddy, estava ao meu alcance. Abri-o na pergunta: “O que é a Mente?” A resposta começa simplesmente: “A Mente é Deus.” E continua: “O exterminador do erro é a grande verdade de que Deus, o bem, é a Mente única e que o suposto contrário da Mente infinita – chamado diabo, ou o mal – não é a Mente, não é a Verdade, mas é o erro sem inteligência nem realidade.” Rejeitei a sugestão de que esse mal tivesse inteligência ou realidade.

Neguei o pensamento de que um corpo material pudesse ter autoridade em questões de saúde ou que a criação de Deus pudesse estar sujeita à dor, à inteligência ou à ignorância. Regozijei-me por saber que toda a criação, como produto do Espírito divino, é, em realidade, espiritual e governada por um Deus amoroso. Compreendi que, exatamente naquele momento e naquele local, minha situação estava sob o inteiro controle de Deus e de nada mais. Nem o alimento nem o medo podem perturbar o governo de Deus! O reconhecimento desse fato me trouxe paz e, em menos tempo do que se leva para ler esta frase, toda dor havia passado. Esse foi o fim do problema. Minha amiga e eu prosseguimos com a nossa programação para aquela noite.

Como é que uma atividade mental, como a oração, pode curar doenças físicas? Destruindo, através do poder incontestável de Deus, o medo e outros elementos mentais que servem de base à doença. As disfunções corpóreas não têm outra opção a não ser ceder, quando nosso pensamento cede ao governo perfeito de Deus, à convicção sanadora da presença e do cuidado do Amor. Quando reconhecemos a Deus, o bem supremo, como a única fonte genuína de todo pensamento e de toda atividade, e damos lugar a essa verdade em nosso pensamento, nós, efetivamente, negamos, tornamos sem poder, o medo de que o mal possa ter poder em nossa vida. Quando o medo se dissipa, o corpo responde de maneira que parece milagrosa para aqueles que não estão familiarizados com a cura cristã; Mas a cura é o resultado perfeitamente natural da lei de Deus, compreendida e obedecida.

A oração sanadora baseia-se na plataforma da própria natureza perfeita de Deus, como Mente amável e eterna, a única Mente, que cria apenas o bem. Como Deus é o único Criador, a fonte de tudo o que realmente existe, todos têm o direito, e a responsabilidade, de aceitar como verdadeiros apenas aqueles pensamentos e coisas que possam ter origem em Deus. O medo e a doença decididamente não se originam em um Deus todo-amoroso! Não têm inteligência, substância nem poder, portanto não podem realmente controlar-nos, em nenhum momento. A doença nunca é causada por Deus; ao contrário, nós, cada um de Seus filhos, somos levados por Deus a expressar Sua harmonia. Por isso nunca precisamos temer a doença, pois podemos curá-la.

Embora a teoria médica presuma que a saúde seja uma condição do corpo, dependente de certas propriedades físicas e de processos bioquímicos, essa presunção, injustamente, deixa fora de cogitação o ministério sanador de Jesus, e tudo o que ele implica. Em sua busca de saúde, a Sra. Eddy se empenhou em compreender como Jesus curava. Por fim, tendo a Bíblia como único guia, fez uma descoberta revolucionária acerca da natureza da saúde. Descobriu que o pensamento não só é importante para a saúde mas, na cura metafísica, é a única coisa a ser tratada! Referindo-se à doença, ela explica: “É medo manifestado no corpo.”

No capítulo de Ciência e Saúde, “A Prática da Ciência Cristã”, há uma parte intitulada “ELUCIDAÇÃO DO TRATAMENTO MENTAL”. No parágrafo que dá início a essa questão, lemos: “A prática científica cristã começa com a nota tônica da harmonia apresentada por Cristo: “Não temais!” E mais adiante, diz: “Começa sempre teu tratamento acalmando o medo dos pacientes. Assegura-lhes, silenciosamente, estarem isentos de moléstia e de perigo. Observa o resultado dessa regra simples da Ciência Cristã e notarás que ela atenua os sintomas de toda moléstia.”

O medo sugere que sejamos algo menos que a própria imagem e semelhança de Deus. Também sugere que algo diferente da Mente divina nos governe. O medo sempre está em contradição com a vontade de Deus, mas nós temos sempre a capacidade de raciocinar e agir de acordo com Ele. Compreender a bondade e a supremacia absoluta de Deus nos dá uma base segura para reconhecer e rejeitar o pensamento amedrontado. Como diz a Bíblia: “Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação.”

Como podemos combater o medo? Por que é que estamos sempre em segurança sob os cuidados de Deus? Já que Deus é o único Criador, a única Mente, não há nenhum elemento da criação que esteja fora de Seu controle, capaz de causar o mal. Como Deus é onipotente, não há perigo de que a vontade de Deus seja frustrada por algum mal, da espécie que for. Sendo Deus onisciente, não há aspecto, nem recanto da criação que possa se esquivar ao Seu governo perfeito. À medida que nos apegamos a tais fatos absolutos, neles insistimos, e expressamos a pureza e a integridade que caracterizam a natureza divina, e portanto nosso próprio verdadeiro ser como semelhança de Deus, começamos a encontrar o segredo da saúde e da felicidade. Aqui e agora começamos a ter vislumbres da onipresença do reino de Deus! Mais do que simples pensamento positivo, essa é a compreensão espiritual que demonstra a lei de Deus em ação.

No meu próprio caso de intoxicação alimentar, foi preciso reconhecer que a aparente negligência por parte dos funcionários do restaurante não era um fator atuante em minha saúde, pois só Deus é que mantém o homem. Precisei enfrentar o medo, a sugestão errônea de que eu era um ser material sujeito a dano, e tive de destruir esse medo por meio da compreensão de que o homem é, de fato, espiritual, a imagem e semelhança de Deus e está sempre sob Seus cuidados.

Perguntar de onde vem o medo seria como ver 2 + 2 = 7 escrito nalgum lugar e gastar toda uma tarde tentando descobrir de onde veio o 7. O 7 é simplesmente um erro e não tem nada a ver com o cálculo. O que fazer com ele? Apagá-lo e colocar a resposta certa. Da mesma maneira, o medo e a doença não fazem parte do cálculo, não fazem parte da Ciência de Deus e do homem. Não precisamos tentar descobrir de onde vieram; só precisamos saber de onde viemos, de Deus, da Mente divina, da única Mente, e não aceitar mais nada no pensamento. Então veremos a cura.

Em realidade, a saúde não consiste, absolutamente, de reações químicas ou de propriedades do físico. A saúde é uma qualidade espiritual, indestrutível, é parte integrante do homem criado à imagem de Deus. É a sanidade e a integridade natural do Ser divino e de Sua expressão. A saúde é o fato acerca de nosso ser harmonioso e permanente, sob o governo perfeito de Deus. A doença expressa o medo humano de que Deus não seja Tudo. Temos toda razão de nos regozijar por Deus realmente ser tudo e governar cada detalhe de nosso ser, aqui e agora. Podemos recusar-nos a ser intimidados por sugestões amedrontadoras sobre nossa saúde ou a respeito de qualquer outra coisa. O homem está em segurança sob os cuidados de Deus e nós temos a capacidade de provar esse fato através da cura.

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(Extraído de O Arauto da Ciência Cristã – Maio 1997)

Um Universo Que Não Necessita Ser Salvo

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UM UNIVERSO QUE NÃO NECESSITA

SER SALVO

(De O Arauto da Ciência Cristã)

Em Ciência e Saúde, a Sra. Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, nos diz: “Deus modela todas as coisas segundo Sua própria semelhança. A Vida é refletida em existência, a Verdade com veracidade, Deus em bondade, as quais transmitem sua própria paz e permanência. O Amor, redolente de altruísmo, inunda tudo de beleza e de luz”.

Podemos pensar que voltar nosso pensamento a Deus em oração seja insuficiente para tratar um problema que envolva a humanidade. Mas nada é mais poderoso do que a oração, porque nos mostra que o universo de Deus não necessita ser salvo, mas sim reconhecido como espiritual e intacto. A compreensão da lei de Deus, eterna e sempre presente, protegerá a humanidade e nosso ambiente para sempre.

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A Lei do Suprimento e a Lenda da Escassez

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A LEI  DO SUPRIMENTO

E A LENDA DA ESCASSEZ

Patricia M. White

 

Para compreender a lei do suprimento, ou provisão, temos de captar o significado mais profundo tanto de “lei” como de “suprimento”. A lei verdadeira é imutável, inflexível, eterna. Não pode ser manipulada nem contornada por meio de subterfúgios; não é afetada por tempo, mudança de padrões de comportamento ou de costumes, nem por pressões ou caprichos humanos. Está baseada no Princípio infalível, e o Princípio é Deus. Por isso, a lei é sustentada e apoiada por Deus, é inteiramente espiritual e está completa. A lei, por emanar de Deus, cuja natureza é o bem, para ser lei, tem de ser boa. 

Por outro lado, a lei humana é feita pelos homens, não por Deus. Quando a lei humana se baseia na lei imutável de Deus, exposta nos Dez Mandamentos, e naquilo que Cristo Jesus ensinou, torna-se uma influência para o bem. Mas, quando se baseia em opiniões humanas, está sujeita aos abusos e às limitações mortais. Pode ficar obsoleta com o passar do tempo ou com as circunstâncias materiais alteradas: está sujeita à interpretação humana, e esta pode errar. 

A lei baseada em opiniões pode vir a ser algo diretamente oposto à lei de Deus. Exemplo disso é a assim chamada lei material, que afirma ter o homem de adoecer e morrer. Em Ciência e Saúde, a Sra. Eddy expõe a mentira da lei material ao referir-se às obras de cura de Cristo Jesus. Escreve: “Ele fazia a vontade do Pai. Curava a doença em desafio ao que se chama lei material, porém de acordo com a lei de Deus, a lei da Mente.”

Ora, o suprimento, tal como a lei, emana de Deus, embora os sentidos materiais argumentem em contrário. Se você duvidar disso, considere por alguns momentos as ocasiões descritas na Bíblia em que o suprimento –de alimento, água, dinheiro, ou de alguma outra coisa –se manifestou, embora nenhum recurso material estivesse evidente. Para os israelitas sob a chefia de Moisés, o maná apareceu sobre o solo qual escamas de geada, a água brotou de um rochedo e codornizes, vindas durante a noite, os abasteceram de carne. Cristo Jesus também alimentou milhares de pessoas, usando apenas os meios espirituais. Em outra ocasião, ordenou a Pedro que buscasse, na boca de um peixe, o dinheiro necessário para o imposto. As obras de Jesus mostram claramente que a fonte do suprimento do homem é ilimitada e que esta lei pode satisfazer – e satisfaz –às necessidades diárias.

Mesmo no sentido humano, a palavra suprimento é derivada do latim supplere, que significa “encher”. No entanto, o uso comum limitou de tal modo esta palavra, que hoje existe a expressão “suprimento reduzido”, o que é, realmente, uma contradição de termos! O verdadeiro sentido de suprimento está ilustrado maravilhosamente no quarto capítulo de 2 Reis, onde lemos que Eliseu ajudou uma mulher viúva, cujos filhos iam ser levados como escravos em pagamento das dívidas da família. Ele a alentou: “Dize-me que é o que tens em casa.” Respondeu-lhe ela: “Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite.” Isso mostrou que acreditava ter sua receita, seu sustento, origem material. Eliseu revelou-lhe que, se ela tivesse fé, a própria botija de azeite, que ela achara pouca, podia suprir às suas necessidades. A escassez não estava em sua casa, mas em sua consciência. Sua disposição de seguir as instruções do profeta, e ir pedir aos vizinhos muitas vasilhas emprestadas, mostra que a mulher começava a enxergar algo para além do testemunho do sentido material que a cercava. Essa fé ampliada na bondade de Deus, apoiada pela visão espiritual do profeta, fê-la encher todas as vasilhas com o azeite de uma só botija.

No entanto, perguntaria alguém, como se demonstrará essa lei de abundância espiritual hoje em dia? Há tantas circunstâncias mais complicadas.

Uma Cientista Cristã, que vivia num país considerado do terceiro mundo, foi alertada para esse relato bíblico por uma praticista da Ciência Cristã a quem pedira ajuda. Tal como a viúva, aquela mulher passava necessidades. Havia sido proprietária de um bom negócio, mas como muitas outras pessoas da ilha, perdera sua fonte de renda devido à instabilidade política local. E, o que parecia desafio ainda maior, havia solicitado admissão a um Curso Primário de Ciência Cristã e a hora de embarcar se aproximava; porém os recursos não apareciam. Em seu trabalho com a praticista, foi levada a compreender que, em grande parte, sua receita baseava-se nos pensamentos que ela admitia na consciência. As condições que pareciam causar a privação, tais como a falta de turistas, ser seu país classificado como do terceiro mundo, a instabilidade política, eram materiais. Não sendo espirituais, não vinham de Deus, a Mente. Assim, não podiam invadir sua experiência, se ela não o permitisse. Eram crenças limitadoras; ao passo que, de sua parte, ela necessitava expandir o pensamento à ilimitada bondade de Deus.

Como resultado desse trabalho em oração, duas coisas aconteceram: seu estudo de Ciência Cristã tornou-se uma atividade alegre, em vez de forçada; e o medo, em vez de aumentar com o passar do tempo, predominou cada vez menos em seu pensamento. Mas a evidência material ainda não mudara.

Finalmente, certa manhã, ao relembrar o relato bíblico a respeito da viúva, indagou-se em voz alta: “O que é que eu tenho em minha casa?” E, graças à sua crescente compreensão de suprimento, deu-se conta de possuir duas máquinas de costura em desuso e alguns móveis encostados, fora de uso, que poderia vender. Veio a pergunta: Mas quem tem condições de comprar? Imediatamente rejeitou esse pensamento negativo e olhou pela janela. Do outro lado da rua, havia algumas pessoas trabalhando num edifício público. Chamou uma delas. Por intermédio dessa pessoa e de seus amigos, a Cientista Cristã pôde vender em menos de um mês, alguns dos objetos, o suficiente para fazer a viagem. E não só isso. As coisas de que não precisava mais serviram muito bem às pessoas que as compraram por preço acessível. Foi mesmo uma lição de abundância do bem para todos.

Assim, pois, a verdadeira lei do suprimento, a lei divina do suprimento, nunca é insuficiente, não está em desequilíbrio nem é parcial. Nem está baseada em reservas materiais, pois está integralmente amparada por Deus, a Mente. O homem põe-se sob essa lei do suprimento, porque o homem é a manifestação ou expressão de Deus. Cristo Jesus afirmou-o assim: “Tudo quanto o Pai tem é meu.” A bondade de Deus destina-se ao homem, porque é um extravasar do amor de Deus pelo homem. Por isso, como manifestação de Deus, o homem expressa abundância, assim como expressa misericórdia, amor, alegria. Não há carência em Deus, por isso não pode haver carência em Sua idéia, o homem.

Então, que nos impede de ver essa lei de suprimento operando mais eqüitativamente em nossa vida e no mundo de hoje? É a crença universal em escassez—evidenciada em escassez de empregos, de alimento, de chuva para as colheitas ou de idéias. As pessoas acreditam na escassez, levadas pelos sentidos materiais, pois estes erroneamente descrevem a substância do suprimento como material, assim como se imagina que a substância da saúde reside no corpo material. Esse falso modo de pensar deixaria Deus fora de Sua própria criação e faria da matéria a fonte de toda substância. 

A escassez, portanto, é o resultado de as pessoas aceitarem o testemunho dos sentidos materiais. À medida que isso for corrigido, e a consciência for imbuída dos fatos divinamente científicos da lei divina de suprimento, a abundância tornar-se-á evidente. Quanta abundância? A Abrão, que havia dito a Ló para pastorear seu rebanho em outro lugar, devido a desentendimentos entre seus pastores, e o havia deixado escolher para onde ir, Deus disse: “Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente; porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre .” Quanta abundância? Tudo quanto Abrão viu.

Ciência e Saúde diz: “Se o pensamento se sobressalta ante o vigor com que a Ciência proclama a supremacia de Deus, ou Verdade, e põe em dúvida a supremacia do bem, não deveríamos, pelo contrário, espantar-nos ante as vigorosas pretensões do mal e duvidar delas, e não continuar a pensar que é natural amar o pecado e desnatural abandoná-lo—não continuar a imaginar que o mal está sempre presente, e o bem ausente?”

Trazemos à nossa experiência o que percebemos ou compreendemos da lei do suprimento. E, à medida que aprendemos a voltar-nos mais e mais a Deus—a caminhar humildemente com Deus—a mentira da escassez, sob todas as suas formas, vai, progressivamente, desvanecendo-se para nós. O Salmista, numa notável frase de grande valor espiritual, descreveu essa lei perfeita, nas seguintes palavras reveladoras e consoladoras: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.”

 

(Extraído de O ARAUTO DA CIÊNCIA CRISTÃ – Maio 86)