De Deus O Dar E O Receber

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“Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai” (Mateus 10:8). A frase “de graça recebestes, de graça dai” pode ter três significados diferentes.

O primeiro é o mais óbvio: de graça, ou seja, sem pagar nada, você recebeu sua compreensão espiritual da Verdade e do Amor que curam, portanto dai aos outros esta mesma compreensão sanadora, sem cobrar nada.

O segundo significado vem do trecho em inglês: “Freely ye have received, freely give”,livremente recebestes, livremente dai”. Ou seja, livremente (sem limitações) recebemos de Deus tudo o que temos, portanto podemos dar livremente essa riqueza espiritual aos outros, dar nossa compreensão espiritual e nosso amor a todos, sem nos limitar.

O terceiro significado vem do original grego: da graça recebestes, da graça dai”. Ou seja, da graça divina recebestes, da graça divina dai. Da fonte divina recebemos, da mesma fonte divina nós damos. O amor e o bem que damos aos outros não vêm de nós, vêm de Deus. Recebemos de Deus tudo o que temos, portanto dessa mesma fonte inesgotável nós damos aos outros. Com essa compreensão espiritual nós podemos fazer o bem sem nos prejudicar ou nos limitar. 

Tiramos o nosso ego do centro e colocamos o único verdadeiro Ego, o EU SOU, no centro de nossos pensamentos e de nossas ações. Deus é quem faz o bem para nós e através de nós. Quando achamos que nós somos a fonte do bem que fazemos, às vezes nos sentimos sugados pelas pessoas que nos pedem ajuda, ou cansados por tentar fazer o bem sozinhos. Também é frequente nos sentirmos limitados em nossa capacidade de fazer o bem, ou frustrados por não conseguir fazer o bem que desejamos.

Mas se reconhecemos que Deus é quem faz o bem, seja através de nós ou através dos outros, isso nos liberta de um falso senso de responsabilidade, de ter que fazer o bem sozinhos, sem a ajuda do Pai.

Deus é o único Doador, o único que dá o bem a todos. Quando compreendemos isso, nos sentimos livres para receber e para dar o bem divino, sem limitações.

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A Consciência Que Cura-2

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Por exemplo, sofri várias lesões num acidente de carro e estava com muitas dores. Eu estava com uma perna inutilizada. Vi-me diante da terrível sugestão de que talvez não voltasse a andar. Chamei um praticista da Ciência Cristã e pedi ajuda por meio da oração.

O trabalho do praticista me ajudou a ver a mim mesma como a verdadeira expressão da divindade, que não necessita de nada fora de seu próprio reino de infinita perfeição. Isso me fez compreender que a totalidade de Deus incluía a mim também, e não era algo externo a mim. Esse raciocínio levou à cura.

Durante as semanas de consagrado estudo da Bíblia e de Ciência e Saúde, da Sra. Eddy, cheguei a perceber que o único e verdadeiro apoio de minha existência era Deus. Aprendi que eu incluía todo o bem e que não existia bem algum que não estivesse incluído em minha própria consciência, como reflexo da Mente divina. Apoiando-me inteiramente no Princípio-Cristo, consegui ficar de pé novamente e mais tarde voltei a caminhar. Embora a cura tivesse demorado algumas semanas, foi completa. Hoje movimento-me livremente, mesmo ao correr. 

Nenhuma tempestade de pecado, doença, morte, invalidez, escassez, depressão, medo, declínio ou dúvida pode determinar o estado do homem, a imagem e semelhança de Deus.

As Escrituras nos aconselham: “Tende em vós a mesma mente que houve também em Cristo Jesus”. Como o homem é a imagem e semelhança da Mente divina, Deus, nós, em realidade, refletimos apenas a Mente divina. Não podemos pular para dentro e para fora da Mente, pois nela moramos para sempre e a refletimos. Nossa tarefa é a de ceder mentalmente a essa Verdade. Para a Mente divina não há tempestade que invada nossa paz, nossa inteireza espiritual e perfeição.

Você tem opção de não ficar num estado mental cheio de medo, olhando para uma tempestade. Em vez disso, poderá ver a si mesmo como reflexo da Mente celestial, compreendendo que na realidade divina não há tempestade, nada que possa roubar-lhe a alegria, o suprimento, a saúde, a segurança e  o bem-estar, nada que possa diminuir o bem eterno.

A Mente que havia em Cristo Jesus é a sua mente e ela sempre sabe que tudo é bom, Deus e Sua manifestação, sabe que esse fato está sendo comprovado continuamente. Quando nos submetemos a essa consciência pura e divina, a consciência que cura, o poder sanador da Ciência Cristã é demonstrado.

(De O Arauto da Ciência Cristã – Fev. 1997)

A Consciência Que Cura-1

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Às vezes fico pensando: “O que é que Deus, a Mente divina, está sabendo agora? O que é que a Mente divina está vendo como sendo o estado atual do ser?” Sendo eu a imagem e semelhança da Mente divina, tenho de refletir o que a Mente divina sabe, e pretendo adotar como meu cada um dos seus pensamentos poderosos e sanadores.

Uma coisa que aprendi sobre a Mente divina, por meio da Ciência Cristã, é a verdade profundamente simples de que Deus, a Mente, é Tudo. Em seu livro Unity of Good, a Sra. Eddy apresenta um diálogo hipotético entre o bem e o mal. A certa altura, o bem responde às sugestões do mal: “Tuas hipóteses insistem em que haja mais de uma Mente, mais de um Deus; mas, em verdade te digo, que Deus é “Tudo em tudo”, e não podes estar fora de Sua unicidade”.

Pense nisso! Toda a vida se manifesta dentro da infinita totalidade de Deus e por isso é boa. Toda a realidade está no âmbito da Mente única, dentro da consciência divina, que o homem reflete, e essa é a nossa única e verdadeira consciência. Tal raciocínio espiritualmente científico ajuda-nos a compreender que a cura por meio da oração consiste em trazer à luz a harmonia que para sempre existe dentro da Mente divina. É um despertar para aquilo que é real, em Deus e no homem. Por isso, a cura não ocorre fora do nosso pensamento, em alguma circunstância ou situação.

Às vezes, nos vemos frente a frente com sugestões perturbadoras acerca de nossa vida. A sugestão de que a escassez, a perda ou a doença sejam incuráveis, chega a ser assustadora. A sugestão de que o abuso irá deixar sequelas permanentes, ou que a solidão seja inevitável, também é perturbadora. Mas, será que essas coisas estão fora de nosso controle? Fora de nossa consciência? Não! Podemos redefinir essas situações, que parecem existir fora de nós e fora de nosso controle. Podemos classificá-las pura e simplesmente como pensamentos errôneos, crenças falsas, porque não estão incluídas na totalidade de Deus. Isso ajuda a colocar a situação sob o controle divino e, assim, a cura tem início.

Jesus certa vez viajava de barco, atravessando o Mar da Galileia, quando foi despertado do sono por seus discípulos, com a notícia de que um terrível temporal se abatera sobre eles. Estavam com medo de morrer e, desesperadamente, aguardavam do Mestre alguma ação. A eles, parecia estar ocorrendo algo externo, fora do controle deles. Viam-se desamparados. Mas Jesus, compreendendo que Deus é Tudo, deu à crise uma solução simples e poderosa. Relata-nos a Bíblia que Jesus “despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança”.

Jesus deve ter reconhecido que nenhuma tempestade perigosa poderia jamais ter sequer entrado na perfeita criação de Deus. Parece evidente que ele considerou-a apenas uma tempestade de pensamentos, e compreendeu que tinha a habilidade e a autoridade, dadas por Deus, para rejeitar os elementos  destrutivos do pensamento mortal, por serem ilegítimos e impotentes.

A Sra. Eddy diz: “Nada aparece aos sentidos físicos a não ser seu próprio estado mental subjetivo.” Depois acrescenta: “Destruí o pensamento de pecado, de doença e de morte, e destruireis a existência deles.” A Mente que havia em Cristo Jesus acalma as tempestades da vida. Essa Mente é a nossa verdadeira consciência, a consciência que cura.

A percepção que Jesus tinha da supremacia de Deus e da natureza espiritual e perfeita da existência, era maior do que qualquer desafio que tivesse pela frente. Confiava resolutamente em que esse ponto de vista o informaria da realidade, ainda que a evidência material fosse diferente. E aquilo que Jesus provou, de forma científica, é igualmente natural para nós comprovarmos em nossa vida, hoje.

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A Estabilidade Da Realidade

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Mudanças são, muitas vezes, fator de progresso e são bem-vindas. A maioria de nós, porém, vez ou outra lamentou o contínuo fluxo de acontecimentos.

É inerente ao coração humano ansiar por estabilidade – pelo bem estabelecido – mas o raciocínio humano não vê tal estabilidade. O bem duradouro só pode ser discernido pelo sentido espiritual. Este revela a estabilidade da realidade, a constância da benevolência divina. Tal faculdade está, por definição, ancorada na estabilidade: “O sentido espiritual é uma capacidade consciente e constante de compreender Deus”, escreve a Sra. Eddy em Ciência e Saúde.

A realidade é constante e é constante a capacidade que o homem tem de percebê-la. Nem a realidade nem a capacidade de perceber tal realidade incluem quaisquer elementos flutuantes ou causadores de atritos. Ao pormos em ação o sentido espiritual, este age como um amortecedor contra os solavancos da experiência humana, harmonizando nossa vida e demonstrando a abundante bondade da realidade.

Temos de tirar Deus de um céu distante, se O pusemos ali, e tornar-nos conscientes dEle como a própria presença em que vivemos. Deus é a origem e a totalidade de nosso ser – inteligência causativa, imaterial e sempre presente, que sustenta toda existência verdadeira e é o meigo e amoroso Pai-Mãe da criação.

Nunca podemos cair fora do amplexo de Sua bondade invariável. E não há condição fora de alcance de Sua influência harmonizadora. O sentido mortal, porém, assustado pelo que vê e ouve, rejeita esse fato divino. O mundo que o sentido mortal percebe é caótico e imprevisível, tal qual os seus deuses. Ora, esse mundo é também tão passível de mudança e sujeito à correção quanto o é o pensamento. Referindo-se à natureza ilusória e instável de um ponto de vista mortal, limitado, Ciência e Saúde declara: “A mente mortal vê o que crê, tão certamente como crê no que vê. Sente, ouve e vê seus próprios pensamentos”.

A fim de sairmos da montanha russa dos errôneos conceitos, temores e teorias humanos, temos de exercer nosso sentido espiritual em oração – em comunhão com o conhecimento de Deus sobre a realidade. Isso nos firma, protege, guia e atende a todas as nossas necessidades.

O universo de Deus não varia. A realidade é estável. Está sempre cheia de paz, de saúde e de alegria. Deus não muda, mas os pensamentos, as atitudes e as crenças mudam. Compreender a bondade imutável de Deus e a identidade do homem como a própria expressão dessa bondade é encontrar a solução para a instabilidade da existência material. Essa compreensão tem um impacto direto em nosso viver diário.

Por exemplo, seria realístico esperar receber boa saúde? O raciocínio mortal vê saúde como dependente do que é físico e de sua interminável lista de variáveis: condições do tempo, vírus, bioquímica, citando só alguns. Esses elementos colocam a saúde numa posição precária que, frequentemente, está fora do nosso controle.

Um sentido mais divino, porém, o sentido espiritual, revela que a saúde nunca foi e nunca será condição do corpo físico. A saúde é, segundo a Ciência Cristã o ensina, uma qualidade ininterrupta da Mente, da Mente única, aquela que o homem manifesta, a Mente de cada um de nós.

Para sermos saudáveis, temos de rejeitar a sugestão persistente, que em geral nunca foi questionada, de que nossa saúde está à mercê de fatores materiais (com muita frequência fora de nosso controle). Temos de entrar em acordo mental com a realidade divina da saúde, como sendo esta espiritual e, portanto, inalterável. Silenciar as preocupações sutis do medo e volver o pensamento à invariável realidade espiritual da saúde é a melhor maneira de cuidar de nosso corpo. Com estas palavras, a Sra. Eddy aponta a essência da saúde: “A verdadeira consciência é a verdadeira saúde”.

Com relação ao estado da economia, o sentido espiritual habilita-nos a discernir e demonstrar com certeza absoluta a abundância contínua da Vida divina, que Cristo Jesus manifestou. Jesus disse: “Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino”. O Cristo, a natureza divina manifestada por Jesus, habilitou-o a perceber e a dar prova de que a bondade de Deus é infinita, ilimitável e estável. E esse mesmo Cristo está conosco hoje, sem jamais ter sido afetado por condições econômicas desfavoráveis, que são apenas o resultado do pensamento baseado na matéria. A bondade de Deus está disponível a todos por meio da obediência à lei espiritual, a qual não varia no que tem constantemente disponível de provisões, para as necessidades da humanidade. Queridas ao coração de muitos são estas palavras tranquilizadoras de Ciência e Saúde: “O Amor divino sempre satisfez e sempre satisfará a toda necessidade humana”.

A provisão benevolente e inexaurível que Deus tem preparado para Seus filhos não inclui qualificações ou atrasos. Isso é mais do que animador. Captar, em sua plenitude, o profundo significado da dádiva incondicional de Deus é encontrar a mensagem curativa do Cristo para o sentido crônico de carência e limitação, flutuação e frustração, do mundo. A bondade de Deus é constante e nossa capacidade de expressar Sua infinidade absoluta está sempre presente. Num mundo em alteração contínua, essa verdade é nossa rocha.

Podemos começar cada dia com uma percepção renovada de nossa união com Deus. Estamos aqui para evidenciar Sua bondade completa e imutável de expressar saúde, abundância, alegria, beleza, domínio, inteligência. Essas qualidades são espirituais. Não dependem, de maneira alguma, da matéria ou de condições materiais. Derivam-se do Espírito e por este são sustentadas. São tão estáveis quanto Deus.

Qualquer que seja a necessidade, há uma lei espiritual – lei baseada no Princípio fixo – que nos mostra o que precisamos ver. Nunca nos deveríamos assustar ou impressionar com o que os sentidos físicos percebem, pois tal percepção é efeito material. A causa verdadeira é divina; seu efeito verdadeiro é sempre perfeito.

Se somos assediados por dúvida e medo, podemos parar por um momento e lembrar-nos de como é certa a bondade de Deus, certo tudo o que é real. Podemos prestar ouvidos ao sentido espiritual e permitir-lhe que governe nossos pensamentos e ações. Talvez nos surpreendamos de ver quão rapidamente os acontecimentos e as circunstâncias dão meia-volta, quando o pensamento está ancorado na verdade.

Aquilo que parece ser matéria e condições materiais é apenas a mente mortal exteriorizada. A inteligência divina desfaz esses conceitos errôneos, e aparecem a beleza, a majestade e a ordem da criação de Deus.

(Extraído de O Arauto da Ciência Cristã – Junho 1983)

Trate-se Todos Os Dias

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Deus nos dotou da capacidade de manifestar Seu poder divino em nosso dia a dia. Para isso, é preciso preservar um sentido consciente da união com Deus, a Mente eterna. Quando começamos a conscientizar a presença eterna de Deus, que Ele está mais perto do que a atmosfera ou a luz solar, começamos a demonstrar nossa unidade espiritual com o Pai. Escreve Mary Baker Eddy: “Simplesmente precisais preservar um sentido positivo e científico de unidade com a vossa Fonte divina, e demonstrar isso todos os dias”.

       Um dos primeiros requisitos da oração que se faz por si mesmo é o de expulsar o medo, pois este é inimigo do progresso. O medo desaparece na medida em que se estabelece na consciência o fato de que toda realidade é Deus. Progride-se conscientizando-se todos os dias da superioridade que o homem tem sobre a velhice, os acidentes, a doença, a morte e todo o erro, e com a negação destes deve vir a afirmação da realidade espiritual de que o homem é espiritual e vive no Espírito de Deus. Deve-se reconhecer que o erro latente não tem lugar na consciência do homem e qualquer sugestão agressiva do mal que possa gritar para ser ouvida, deve ser calada. Não basta uma breve negação do erro em geral. As pretensões devem ser negadas especificamente e devem ser usadas verdades espirituais específicas para anulá-las. Esta limpeza específica do pensamento traz a paz de Deus que excede todo o entendimento humano.

       A Identidade em Cristo, a verdadeira Mente do homem, é sustentada por Deus. Não pode ser mesmerizada por sugestões mentais agressivas. Nela não há o menor traço de sugestões mentais agressivas que haveriam de amedrontar, desviar, deter, ou impedir-nos de fazer hoje o trabalho que nos compete. Vigília constante é o preço que temos de pagar para adequadamente proteger o nosso lar mental.

       Nosso dever para com Deus é não servir a nenhum outro deus—só ao único Deus infinito, que é Princípio, Vida, Verdade, Amor, Espírito, Alma e Mente divinos.
       O mal é sempre irreal. Não é um homem, pois o homem é ideia espiritual e perfeita de Deus. O mal é mero conceito errado, o oposto do que é verdadeiro. Portanto, o lugar único em que poderemos superar o erro é na consciência, em nosso próprio pensamento, e não no de nosso próximo. Independente de qual a discórdia com que pareça estarmo-nos confrontando, é preciso ver a sua irrealidade em nosso pensamento. Ela não tem maior realidade do que a que lhe damos. A oração por nós mesmos é a nossa linha de ataque. Sua finalidade primária é varrer do nosso pensamento todos os conceitos de existência que não se originam em Deus. Nesse processo de limpeza, naturalmente ajudamos os outros, pois os bons pensamentos, que manifestam Deus, abençoam todos aqueles sobre quem repousam.

       Quando ficamos tentados a fazer uma realidade do erro cometido por outra pessoa, estamos, sem o saber, alinhando-nos do lado do erro. Alguma crença na realidade do mal, que ainda não foi resolvida em nossa consciência, talvez nos disponha a crer que o erro de outrem é realmente a individualidade dessa outra pessoa. Resolve-se um problema humano, isto é, anula-se o erro, mediante o trabalho mental diário que se faz para si mesmo: e, nesse trabalho, acha-se incluído o deslindar em nosso próprio pensamento as tramas do sentido material.

       Se alguém quiser atingir a salvação plena do pecado, da doença e da morte, precisa ver mentalmente a irrealidade do que o sentido material chama de existência mortal e vir a compreender que sua única história real é sua história espiritual. O homem já se acha estabelecido como a expressão individualizada da Mente divina. É importante negar todo erro ou pecado no decurso da vida humana e afirmar, com compreensão, o fato oposto, isto é, a existência espiritual. O único meio certo de viver é o de manter o pensamento unido a Deus, é seguir com Deus e falar com Ele. Então o Espírito, a Mente, haverá de eclipsar as discórdias da matéria e trazer a cura. A obstinação, a justificação própria e o egotismo têm de ser sobrepujados porque são empecilhos à cura. Ocultam a unidade que há entre o homem e Deus.

       Cristo Jesus é nosso modelo para a cura pelo poder do Espírito. Sua obra de curar alicerçava-se na união que há entre o homem e Deus. Em certa ocasião, declarou: “Eu nada posso fazer de mim mesmo”, e noutra oportunidade disse: “Eu e o Pai somos um”. A Sra. Eddy escreve: “Assim como uma gota de água é uma com o oceano, um raio de luz um com o sol, do mesmo modo Deus e o homem, o Pai e o Filho, são um no ser”.

       É preciso grande humildade para demonstrar que o homem é um com Deus. O orgulho humano e a força de vontade não fazem parte da demonstração. A união com o Pai só é alcançada à medida que os mortais lançam fora a natureza carnal e manifestam a natureza divina. Para a obtenção desse mais elevado e digno de todos os objetivos, é essencial a oração diária por si mesmo, feita com compreensão.

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Inspiração Para Curar-1

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Era de manhã bem cedo. Acordei subitamente e senti a orientação divina para pegar lápis e papel, e começar a escrever. De início relutei em segui-la, mas então obedeci. Logo abaixo está a inspiração que me veio, sobre meu trabalho como praticista da Ciência cristã.

Eu sou Deus e nunca criei a matéria; não existe matéria. Portanto, pare de tentar curar matéria.

Nem seu paciente, nem você, como praticista, podem ser mesmerizados a acreditar que um problema possa ter existência real, pois eu nunca criei um problema. Não existe nenhum problema para curar, apenas um conceito incorreto (falso). Saiba mais a respeito de quem Eu sou. Saiba a Verdade sobre o que Eu criei. Essa é a verdade sobre o trabalho que você faz.

Não pode haver nenhuma resistência ao reconhecimento daquilo que Eu criei. Uma vez que nem você, nem o paciente, podem pensar de si mesmos. Como praticista, não imagine que você tenha de levar o paciente a saber alguma coisa, uma vez que Eu sei Tudo.

Como praticista. não duvide nem questione o trabalho de cura. A Ciência Cristã jamais falha. O Princípio está por trás de todo o trabalho. Tanto para o praticista como para o paciente.

Conforme este versículo bíblico, “ …eu sou Deus e não há outro” (Isaías 45: 22), fiz todas as coisas reais e completas. Não tente compreender aquilo que não existe, mas conheça somente aquilo que realmente existe! O poder da oração é o conhecimento daquilo que é, daquilo que existe. Se Eu não o criei, ele nunca foi criado; portanto, nunca pode estar no pensamento, porque Eu sou a Mente. Essa verdade é absoluta e Eu não conheço nenhuma outra. Nunca criei nada material. Não existe nenhuma condição material.

Mary Baker Eddy trouxe essa verdade para o primeiro plano e a única maneira de o trabalho dela ser reconhecido é seguir o Cristo. É o Cristo que vem até você, a fim de que saiba como curar. O Cristo está com cada um dos filhos de Deus. Esse Cristo se manifesta no pensamento e fala tanto para o paciente como para o praticista, a verdade de que existe um único Deus, uma única criação, um único Criador, uma única Mente, um único Princípio. O paciente não pode ficar na obscuridade, não pode sentir dor, não pode receber diagnóstico de doença, não pode sofrer, não pode falhar e não pode morrer.

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O Cordeiro De Deus Destrói O Magnetismo Animal

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Na Ciência, não temos motivo para temer o magnetismo animal. Em nenhum momento e em nenhum lugar, jamais foi real, poderoso ou substancial. Alguém, talvez, tenha-lhe dito: “Você tem de trabalhar. Tem de negar o magnetismo animal.” Isso o preocupou? Sim, temos trabalho a fazer. Precisamos enxergar através das imposições do erro e provar que são irreais. Isso, às vezes, requer muito trabalho.

Não há, porém, nenhuma razão verdadeira para nos alarmarmos, porque, do ponto de vista do raciocínio sadio da Ciência Cristã, o magnetismo animal não pode ser nada mais que o erro ou mente mortal. Na supremacia do Espírito que tudo permeia, nada dessemelhante do bem espiritual está presente nem em ação. A totalidade absoluta de Deus torna impossível que qualquer ação ou presença opostas – de substância material, inteligência demoníaca ou vida mortal – sejam verdadeiras.

O magnetismo animal, então, é apenas uma crença, um estado ilusório do pensamento. Efetivamente, há só uma consciência, a Mente divina ininterrupta e livre, que é Espírito. E o homem espiritual, a verdadeira individualidade de cada um de nós, é o reflexo dessa Mente para sempre consciente. Portanto, herda só as qualidades de seu Criador eterno, o único Deus, o bem.

Ora, se assim é, por que a Ciência Cristã nos diz que temos de tratar o magnetismo animal como algo a ser destruído? Por que não nos detemos, simplesmente, nos bons pensamentos? Esse modo de ver é falaz, porque o magnetismo animal parece ser um poder ao nosso sentido atual das coisas, e nos busca impedir de estar conscientes só do bem. Essa ação magnética, agindo sobre a natureza animal e por meio dela, pretenderia substituir nossa mentalidade verdadeira que reflete Deus, pela sugestão hipnótica de haver outra mentalidade: fraca, voluntariosa, desobediente, sensual e, consequentemente, suscetível às mentiras do erro. Esta ação magnética pretenderia atrelar sua natureza animal a nós, identificando a matéria como sendo nossa substância e o medo como sendo nossa atitude. Temos de adaptar nosso modo de pensar à realidade divina do bem sem fim e recusar sermos enganados por falsas sugestões. Contudo, não conseguiremos nada se perpetuarmos o magnetismo animal desde o ponto de vista de sua própria autoavaliação. Nossa base para enfrentar o mal deve ser a infinidade da única Mente onipotente e a consequente nulidade de toda alegação de uma mentalidade falsa.

 Sim, precisamos defender nosso pensamento das imposições mesméricas do magnetismo animal, sempre, porém, com a arma da certeza da totalidade do bem divino. Seguimos adiante com confiança, não com medo. É importante manter em pensamento o fato de que não há mal real, não há verdadeiro magnetismo animal, há apenas uma crença nele, a ser destruída.

 Na Bíblia, o mal recebeu vários nomes diferentes: serpente falante que engana e desmoraliza, “Satanás”, “diabo”, “Belzebu”, e, finalmente, “grande dragão vermelho” – o mal pronto para destruir-se a si mesmo. As narrativas bíblicas descrevem o triunfo do bem sobre o mal e a virtude daqueles que, com a ajuda de Deus, o conseguiram vencer. Os nomes dados ao mal indicam sua natureza lendária, uma ficção a ilustrar uma lição moral.

 Jesus demonstrou o Cristo, ao vencer o mal. Em Ciência e Saúde, a Sra. Eddy diz: “O autor do Apocalipse se refere a Jesus como o Cordeiro de Deus, e ao dragão como o que guerreia contra a inocência.” A Sra. Eddy também escreve: “contra o Amor, o dragão não luta por muito tempo, pois o dragão é morto pelo princípio divino. A Verdade e o Amor prevalecem sobre o dragão, porque o dragão não os pode guerrear.” O autor do Apocalipse também mostra como enfrentar e vencer a soma total da maldade: “Então ouvi grande voz do céu, proclamando: Agora veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo, pois foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia, e de noite, diante de nosso Deus. Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro” significa o sacrifício indispensável de um falso sentido do eu, a fim de despertarmos para a realidade. “Em face da morte, não amaram a própria vida” pode significar uma dedicação total ao nosso estado espiritual, imortal, e real, enquanto passo a passo renunciamos ao eu aparentemente mortal e material em troca do reflexo divino.

Os requisitos para a vitória sobre o magnetismo animal apresentados nesse trecho do Apocalipse nos alertam para a diferença que há entre a oração perfunctória (ritual de palavra) e o espírito do Cordeiro, que cura. Redenção individual, ao invés de mera repetição de palavras, é o que destrói a crença nas mentiras do magnetismo animal. Tais mentiras nunca foram reais, mas nossa crença nelas precisa ser extirpada. Um esforço obstinado de mudar o pensamento por presumirmos que vivemos aquilo que pensamos – apoiarmo-nos num tipo de profecia autorrealizadora – é fútil e não é redenção real, pois falta-lhe a inocência do Cordeiro.

 No seu Sermão do Monte, o Mestre, Cristo Jesus, apresenta os requisitos para a oração curativa eficaz. Nossa motivação para amar, obedecer e abençoar tem de ser profunda. De fato, vivemos o bem que conhecemos, quando nossos pensamentos provêm de uma humilde sujeição à onisciência de Deus e à realidade daquilo que Deus conhece. Mantemo-nos despertos para a realidade quando aderimos persistentemente à verdade e, assim, podemos ajudar outros a despertarem também. O Cordeiro age quando temos desejos puros de glorificar a Deus e elevamos os conceitos que entretemos a respeito de nosso próximo, ao sermos receptivos sem restrições à orientação da luz da Verdade; ao confiarmos implicitamente na onipotência da vontade divina de prevalecer sobre toda forma de mal. Esses estados de pensamento são algumas das evidências da ação do Cordeiro no pensamento consciente.

 Jesus estava sempre consciente da falta de base de qualquer argumento da crença mortal. Sabia muito bem que o mal nunca é uma entidade; é apenas uma negação. Uma negação não pode tomar a iniciativa. Só pode parecer inverter a realidade do bem. Por isso, o magnetismo animal é sempre o inverso do bem existente e real e é assim que devemos mantê-lo já tragado pela ação ininterrupta de Deus, através de Seu Cristo.

Em sua luta contra o diabo no deserto, Jesus rejeitou a sugestão do magnetismo animal de que o sonho do sentido mortal fosse real. Disse:“Retira-te, Satanás”. Sua inocência espiritual, sua devoção ao Cristo, não deixaram espaço para a animalidade, o orgulho ou a negligência, que o tornariam vulnerável às imposições do dragão. Jesus nos deu a preparação específica necessária para destruir o dragão, quando disse a Satanás: “Está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto”. O Cordeiro de Deus requer que adoremos e sirvamos a Deus com a inspiração da santidade.

 O Cordeiro de Deus, agindo em nós, atinge o alvo: o pecado da adoração mundana, e o derruba de sua aparente entronização no pensamento. O poder e a presença do próprio Deus sustentam o Cordeiro e, por conseguinte, a oração genuína alcançará o erro básico em toda situação, naquilo que parece ser e no que alega fazer – nada mais do que uma farsa ridícula. Então, regozijar-nos-emos insensatamente, quando a carnalidade da besta for rechaçada pela inocência de nossa verdadeira natureza dada por Deus. O que procurou subverter o bem naquilo que é semelhante ao Cristo pode ser visto em sua estupidez negativa, e a harmonia universal do Cordeiro do Amor reinará.

 Quando as qualidades do Cordeiro de Deus ficam estabelecidas no pensamento, já temos os ingredientes neutralizadores para obter a vitória sobre qualquer mentira agressiva. Quando incorporamos a ideia do Amor divino como o nosso ideal, em nossas relações com outros, não podemos prejudicá-los nem ficamos ao alcance da maldade mortal. A doença desaparece ante o pensamento que não se deixa mesmerizar pelas aparências materiais. Tal pensamento, calmamente controlado pela inocência que é dada por Deus e é tudo o que Ele conhece, brande a espada do espírito da Verdade sempre que há receptividade, banindo a crença na moléstia. Na ideia perfeita do Amor, não há medo e nada que possa engendrá-lo ou responder-lhe.

 Saber que o homem está envolvido pelo Amor do Pai-Mãe nos torna corajosos e mantém-nos livres. E esse conhecimento é nossa única mentalidade real. Não traz indiferença à angústia do sofredor, mas seu oposto: compaixão que cura, pois reconhece na saúde o único efeito da Mente divina.

 O que o Cordeiro pode fazer no clima aparentemente desarmonioso e sombrio do mundo de hoje? Pode despertar, e eventualmente despertará, cada indivíduo do sonho mortal de haver uma mente má – de haver na matéria poder para degradar, para acusar o inocente e exaltar o culpado, para seduzir o imprudente e roubar o pobre. Tudo o que é desprezível e corrupto tem de, por fim, fracassar. A fúria do magnetismo animal parece estar à solta em seu ódio contra tudo o que é bom; mas, espere-se um momento, ele não é real! A Ciência ajuda cada um de nós a demonstrar a consciência crística, o pensamento verdadeiro, ajuda-nos a não sermos nunca enganados pelo dragão que se propõe a fazer parecer real o que nunca foi real.

 A matéria, o conceito errôneo do magnetismo animal sobre a realidade, é apenas a crença numa suposição impossível de que o Espírito infinito, a Vida real, a substância e a inteligência reais estejam ausentes. Assim podemos estar certos de que ele não exerce nem tem influência, seja como idolatria, imoralidade, infidelidade, seja como oportunismo cínico. A devoção ao Cordeiro nos manterá despertos para a verdade pela qual ajudamos a curar situações mundiais, ao invés de ficarmos perturbados por elas ou indiferentes a elas. O Cristo está em toda parte, a todo instante, e nosso conhecimento correto conta com sua força em favor de todo ponto de perturbação no mundo.

 Há diferença entre ir ao encontro da besta assassina do Apocalipse no próprio nível dela e entre anulá-la desde a posição superior de se refletir a inocência do Cordeiro. As seguintes palavras de Ciência e Saúde são relevantes: “Cordeiro de Deus. A ideia espiritual do Amor; imolação de si mesmo, inocência e pureza, sacrifício”. Conhecer conscientemente o bem e estar firmemente convicto de que não há outra realidade a ser conhecida, permite-nos manter o pensamento livre de ser hipnotizado pelo magnetismo animal. E, ao progredirmos espiritualmente, aprendemos a permanecer cada vez mais no estado espiritual do ser, onde nossos pensamentos e vidas são uma transparência para o Cordeiro de Deus. Então, a exterminação do dragão tornar-se-á mais espontânea.

(Extraído de O Arauto da Ciência Cristã –Maio 1983)

Pedras Fundamentais

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Descobri que as seguintes ideias acerca da Divindade, hostilizadas por teorias, doutrinas e hipóteses finitas, são regras demonstráveis na Ciência Cristã, e que precisamos ater-nos a elas.

TUDO O QUE DIVIRJA DA MENTE DIVINA ÚNICA, OU DEUS – OU DIVIDA A MENTE EM MENTES, O ESPÍRITO EM ESPÍRITOS, A ALMA EM ALMAS, E O SER EM SERES – É UM ENUNCIADO ERRÔNEO SOBRE O INFALÍVEL PRINCÍPIO DIVINO DA CIÊNCIA, ENUNCIADO QUE INTERROMPE O SIGNIFICADO DA ONIPOTÊNCIA, DA ONISCIÊNCIA, E DA ONIPRESENÇA DO ESPÍRITO, E É DE ORIGEM HUMANA E NÃO DIVINA.

Trava-se uma batalha entre as evidências do Espírito e as evidências dos cinco sentidos; e essa luta tem de prosseguir, até que a paz seja declarada pelo triunfo final do Espírito, em imutável harmonia. A Ciência divina, baseada na onipotência e onipresença de Deus, ou o bem divino, desmente a existência do pecado, da doença e da morte.

Toda consciência é Mente, e a Mente é Deus. Portanto, existe uma Mente só; e essa única é o bem infinito, que nos proporciona toda a Mente por reflexo, e não pela subdivisão de Deus. Fora disso, tudo que pretende ser mente, consciência, não é verdadeiro. O sol emite luz, mas não sóis; assim Deus se reflete a Si mesmo – a Mente – mas não subdivide a Mente, ou o bem, em mentes, boas e más. A Ciência divina exige tremendas lutas contra as crenças mortais, quando singramos o insondável mar das possibilidades, rumo ao porto eterno.

Nem a filosofia antiga nem a moderna oferecem base científica para a Ciência da cura-pela-Mente. Platão acreditava ter uma alma que precisava ser tratada para curar o corpo. Isso seria como corrigir o princípio da música a fim de destruir a dissonância. O Princípio está certo; a prática é que está errada. A Alma está certa; a carne é que é má. Alma é sinônimo de Espírito, Deus; logo, existe só uma Alma, e essa é infinita. Se aquele filósofo pagão tivesse sabido que o sentido físico , não a Alma, é a causa de todos os males do corpo, sua filosofia teria cedido à Ciência.

O homem brilha com luz emprestada. Reflete Deus, sendo Deus a Mente do homem, e esse reflexo é substância – a substância do bem. No erro a matéria é substância; na Verdade, o Espírito é substância.

O mal, ou erro, não é Mente; mas a Mente infinita é suficiente para produzir todas as manifestações da inteligência. A noção de que há mais de uma Mente, ou Vida, não é científica, nem satisfaz. Tudo tem de ser de Deus, e não nosso, separado dEle.

Os sistemas humanos de filosofia e religião desviam-se da Ciência Cristã. Tomar erradamente o Princípio divino como se fosse personalidade corpórea, enxertar na Causa Primária e única efeitos tão opostos como o bem e o mal, a saúde e a doença, a vida e a morte; fazer da mortalidade o estado e a regra da deidade – tais métodos não podem jamais conduzir à perfeição e demonstração da Ciência metafísica, ou Ciência Cristã.

Afirmar que existe o Princípio divino, a onipotência (omnis potens), e depois desviar-se dessa afirmação, adotando a regra da matéria finita para com ela resolver o problema da infinidade ou Espírito – tudo isso é como tratar de obter compensação pela ausência da onipotência, utilizando um sucedâneo físico, falso e finito.

Para nosso Mestre, a vida não era simplesmente uma noção de existência, mas incluía o conhecimento de poder que subjugava a matéria e trazia à luz a imortalidade, tanto assim que as multidões ficavam “maravilhadas da sua doutrina, porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas”. A Vida, como a definiu Jesus, não tinha começo;não era o resultado de organização, nem fora infundida na matéria; era Espírito.

O Plano Mais Elevado Na Demonstração

plano

Quer sejamos novos na Ciência Cristã, quer sejamos “veteranos”, é natural estarmos desejosos de demonstrar seus ensinamentos de modo mais eficaz. Para isso, precisamos elevar-nos a um plano mais alto.

Nossa demonstração se eleva na proporção em que aumentam nossa compreensão e espiritualidade. A Sra. Eddy escreve: “O caminho é a Ciência divina absoluta: andem nele; mas lembrem-se de que a Ciência é demonstrada em graus e nossa demonstração se eleva apenas na proporção em que nos elevamos na escala do ser”.

Que é a demonstração? Esse termo deriva de uma palavra latina que significa “mostrar”. A demonstração implica mostrar algo. Como, na Ciência divina, Deus e Sua ideia é tudo o que de fato existe, a demonstração é, em essência, uma mostra de Deus, ou o bem. É o aparecimento do ser real. É a exposição, ou descoberta, para o sentido humano, do que é verídico e divino. Por outro lado, o pecado, a doença e a mortalidade expressam a crença de que a mente carnal possa demonstrar-se, ou manifestar-se. Cada vez que ocorre a cura espiritual, tal alegação é refutada.

A demonstração na Ciência Cristã não origina uma nova situação, mas revela o que já está presente. Demonstrar é remover o véu que obscurece a realidade espiritual presente. É trazer à luz o que sempre existiu e sempre existirá.

O que é que faz a demonstração? A consciência espiritual, os praticistas da Ciência Cristã, a oração realizam a demonstração. Há várias respostas, mas quando nos situamos no plano mais elevado, reconhecemos que Deus é Tudo-em-tudo e faz tudo. Ele é o único agente, o único executante. Ele é o único Criador do universo espiritual e do homem. E Deus, como a Fonte única de todo ser, o iniciador de todo movimento, ação e evento reais é, num sentido profundo, o único demonstrador.

Admitir isso, praticar essa verdade da melhor maneira possível, significa elevar-nos a maiores altitudes na escala do ser. É elevar-nos ao mais alto plano possível. Em consequência, a noção de que sejamos demonstradores humanos desaparece.

Quando, partindo de uma base espiritual sólida, admitimos, com sinceridade, que Deus é o único agente, aquilo que aparece como sendo nossa demonstração de cura fica mais nítido. Nossas demonstrações ficam menos confusas e não se atrasam devido a uma visão mortal das coisas. Requerem menos labuta e são mais naturais e espontâneas. A origem e a espinha dorsal da demonstração são divinas e não humanas.

Demonstração requer que demos absolutamente tudo a Deus. É uma oportunidade especial de afirmar que tudo que é real começa com Deus, e não com o homem, nem mesmo com o homem real feito à semelhança de Deus. Isso é fato: nem mesmo o homem real origina algo. Considerando-se que demonstração é Deus expressando-se a Si mesmo e expressando Sua própria natureza, então até o homem é um aspecto da demonstração.

Nossa prova da verdade na Ciência Cristã melhora de modo considerável, quando aceitamos a ideia de que não há um mortal que comprove a verdade. A Verdade eterna, Deus, comprova-se a Si mesma. A Sra. Eddy salienta esse fato: “O melhor sanador é aquele que menos se impõe e, assim, se torna uma transparência para a Mente divina, a qual é o único médico: a Mente divina é o sanador científico.”

Outra vez, perguntamos: O que é que realiza a demonstração? Não é o corpo físico ou a mentalidade humana. A demonstração é sempre a Verdade e o Amor curativos se manifestando. Conquanto seja muito natural ser grato aos praticistas da Ciência Cristã que nos ajudam pela oração, saibamos que não é a pessoa propriamente dita que realiza a demonstração.

O profeta galileu, Cristo Jesus, sabia que não era ele quem dava origem a suas obras. Seu Pai-Mãe Deus é que, pelo Cristo, tornava as realidades do ser mais claras para a visão humana. “O Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai”, declarou Jesus. Longe de elevar o ego humano, Jesus baseou sua missão de cura na subordinação do senso humano das coisas, trazendo à luz a identidade espiritual. O Mestre exercia domínio sobre o sentido material.

Ao lavar os pés dos discípulos, não estaria Jesus renunciando à importância própria? Ele sabia que o orgulho mortal nunca apresenta nada de verdadeiro e real. O amor desinteressado e impelido pelo Amor é que realiza o trabalho de cura, e não a importância mundana e o amor egocêntrico. Por sua própria natureza, a cura espiritual é altruísta. Seu propósito é provar o que Deus é e o que Ele faz e, assim, abençoar aos outros. Não se destina a realizar algum propósito egoístico.

Se pensássemos que somos menos demonstradores humanos, será que sempre acertaríamos, que sempre obteríamos bons resultados? Não. “O demonstrador humano desta Ciência pode se enganar”, a Sra. Eddy diz, “mas a Ciência continua sendo a lei de Deus, infalível, eterna. A Vida, a Verdade e o Amor divino é o Princípio básico de toda Ciência, resolve o problema do ser; e nada que faça o mal pode entrar na solução dos problemas de Deus.”

Dessa declaração podemos depreender que é melhor não nos considerarmos demonstradores pessoais, pois ficaríamos permanecendo nos níveis espirituais mais baixos. Quando lemos que “A Vida, a Verdade e o Amor divino é o Princípio básico de toda Ciência,” podemos aceitar com gratidão o fato de que é a Ciência eterna, e não a pessoa do Cientista Cristão, que gera a demonstração.

É a única Mente, o Princípio, expressando-se através do Cristo, e não a mente humana, o que impele a cura. No Prefácio do livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde, a Sra. Eddy menciona que há vários livros sobre cura mental, a maioria incorretos na teoria, e explica: “Consideram a mente humana um agente curativo, ao passo que essa mente não é um fator no Princípio da Ciência Cristã.”

A responsabilidade pessoal pela cura, se não for aliviada, causa tensão. Tentar fazer a mente humana efetuar uma cura espiritual seria árduo e condenado ao fracasso. Há um caminho mais elevado, o caminho da Ciência. Aprendemos que é privilégio nosso deixar de utilizar pessoalmente a Verdade e passar tudo às mãos daquele que tudo faz: Deus.

Agora, ceder a Deus como a fonte da cura não é uma questão de ficar inativo, pensando: “Graças a Deus, não tenho de fazer nada.” Dar tudo a Deus não é uma atitude passiva. Não significa tomar atitude neutra ou apática. É uma responsabilidade ativa, uma exigência de reconhecer constantemente que “a Mente divina é o sanador científico”. Nossa ocupação é aguçar o sentido espiritual, a fim de discernirmos cura e demonstração.

A demonstração e a cura requerem afeto e integridade humanos, mas mais se faz necessário: integridade espiritual. A demonstração requer que usemos a integridade que refletimos como imagem de Deus. Tal integridade não nos deixa pensar que a demonstração seja uma ferramenta engenhosa para satisfazer desejos humanos. A demonstração não é um meio de realizar uma lista de aspirações. A demonstração expressa a vontade de Deus e não a nossa. Refere-se a meios e fins espirituais, ainda que se evidencie na cena humana. É o Amor divino em operação, tornando o propósito de Deus, Seu universo e o homem real, visíveis ao sentido humano, por meio do Cristo. É a manifestação da Realidade divina.

Saber com clareza o que a demonstração não é, firma nossa assimilação do que ela é. Não sendo uma atividade humana, não é um ímpeto de esperteza humana. É uma mostra sagrada da inteligência e do amor divinos. Compreendendo isso, trabalhamos e oramos na Ciência Cristã com mais discernimento e mais paciência e somos elevados a um plano mais alto.

A mudança de crença na mente humana e a evidência externa dessa mudança não é demonstração. Não é indício do Amor divino. Não é mostra do ser real. A cura não é mera mudança de crença, como por exemplo, deixar de crer que somos pobres e passar a crer que estamos bem de vida, ainda que tal pensamento pareça muito agradável! Não, demonstração é a crença e a mentalidade materiais cedendo à consciência espiritual. E quando isso ocorre, o resultado pode incluir deixar de viver na penúria e usufruir do bem mais abundante.

Falando claramente, a demonstração não é o resultado de acrobacia ou manipulação mental. Resulta da ação do Cristo a inundar o pensamento humano, lavando-nos das crenças mortais. Se a solução de um problema não está se dando como deveria, a pessoa deve verificar qual é sua noção do que é que faz os ajustes e o trabalho de cura. Será que o trabalho de cura é humilde, espiritual e impessoal o bastante? É suficientemente científico?

Quando estudamos e praticamos a Ciência Cristã, aprendemos a aplicá-la cada vez melhor. Se segurarmos um martelo pela cabeça e não pelo cabo e aí tentarmos martelar um prego, teremos dificuldades. O prego mal se moverá. Aprendemos a não culpar o martelo, mas a usá-lo melhor.

A demonstração na Ciência Cristã nunca ocasiona algo que não existia: apenas o traz à luz.

(Extraído de O ARAUTO DA CIÊNCIA CRISTÃ – Agosto 1994)

“O Altíssimo É O Seu Defensor”

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A gripe A continua preocupando as pessoas à nossa volta. Mas aquele que mantém a sua mente em oração expulsa o medo. Você tem a oportunidade para procurar tranquilizar a você mesmo e as pessoas com quem tiver contato e que comentarem com você sobre seu medo e talvez até sintomas. Precisamos orar e trabalhar a corrente do bem e da saúde. É preciso ter certeza no que sabemos sobre Deus, sobre a Vida perfeita, e de como suas leis espirituais atuam no humano por meio do Cristo sanador. Desta maneira estaremos contribuindo de maneira ativa para diminuir a influência errônea que enfraquece o ser humano tornando-o vulnerável ao contágio e ao sofrimento. Estaremos contribuindo ativamente para sentir a “Glória de Deus nas maiores alturas do céu! E paz na terra para as pessoas a quem ele quer bem!” (Lucas 2:14.)

“A Mente [divina] exerce autoridade sobre os sentidos corpóreos e pode vencer a doença, o pecado e a morte. Exerce tu essa autoridade conferida por Deus. Toma posse de teu corpo e governa-lhe a sensação e a ação. Eleva-te na força do Espírito para resistir a tudo o que é dessemelhante do bem. Deus fez o homem capaz disso, e nada pode invalidar a faculdade e o poder divinamente outorgados ao homem” CeS p. 393.

Reconhecer que cada um de nós tem autoridade divina para exercer autoridade sobre os sentidos corpóreos nos liberta das imposições mentais sugeridas pela mídia e dos próprios sintomas quando vemos ou ouvimos sua manifestação à nossa volta. Nesta hora eu procuro pensar que estou respirando, me movendo, e tendo todas as minhas atividades na atmosfera do Amor divino.

Deus nos dotou a cada um de nós com a capacidade consciente para manifestar o poder divino de Deus, da Vida oniativa, em todas as nossas atividades do dia. O segredo é buscar, logo cedo pela manhã, uma comunhão com a Vida onipotente, Deus. Desta forma compreendemos que somos a consciente emanação da Vida perfeita e completa, livre de ser contaminada ou contagiada por alguma crença material. A partir desta base podemos ajudar ao nosso próximo a eliminar o seu medo e invertê-lo por uma compreensão de que o que realmente contagia é a harmonia do bem! Estar de bem com a Vida. Estar feliz.

A crença de gripe A fica circulando na mídia, engordando as estatísticas diárias. As diferentes aflições que angustiam o povo há dias em que os números são mais altos e noutros cai um pouco. As três fatalidades constatadas no pais, as autoridades do setor de saúde, esclarecem que já apresentavam algum tipo de problema orgânico ou fraqueza imunológica, e o organismo fraco não tinha defesas para enfrentar e vencer mais este ataque. A mensagem está clara: Não tenham medo.

Jesus Cristo quando confrontado com problema de saúde disse: “Não tenha medo; tenha fé.” (Lucas 8:50.) Jesus curava os enfermos de todo o tipo de aflição conhecida naquela época.

Mil anos antes de Jesus, já o salmista nos assegurava que podemos confiar em Deus como nosso protetor que deseja o melhor para cada uma de suas manifestações humanas. Vejam como o Salmo 91, conhecido como “O Salmo da Proteção”, nos traz esta certeza de modo que a podemos compreender, aceitar e sentir o seu efeito em nossa mente e em nosso corpo:

A pessoa que procura segurança no Deus Altíssimo e se abriga na sombra protetora do Todo-Poderoso pode dizer a ele: “Ó Senhor Deus, tu és o meu defensor e o meu protetor. Tu és o meu Deus; eu confio em ti.” Deus livrará você de perigos escondidos e de doenças mortais. Ele o cobrirá com as suas asas, e debaixo delas você estará seguro. A fidelidade de Deus o protegerá como um escudo. Você não terá medo dos perigos da noite nem de assaltos durante o dia. Não terá medo da peste que se espalha na escuridão nem dos males que matam ao meio dia. Ainda que mil pessoas sejam mortas ao seu lado, e dez mil, ao seu redor, você não sofrerá nada. Você olhará e verá como os maus são castigados. Você fez do Senhor Deus o seu protetor e, do Altíssimo, o seu defensor; por isso, nenhum desastre lhe acontecerá, e a violência não chegará perto da sua casa. …

Deus diz: “Eu salvarei aqueles que me amam e protegerei os que reconhecem que sou Deus, o Senhor. Quando eles me chamarem, eu responderei e estarei com eles nas horas de aflição. Eu os livrarei e farei com que sejam respeitados. Como recompensa , eu lhes darei vida longa e mostrarei que sou o seu Salvador” (Salmo 91).

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Para Obter A Cura: Ponha Seu Peso No Prato Certo-3

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A atração hipnótica e magnética da falsa crença na morte está entre os métodos da mente carnal que nos induzem a lançar peso no prato errado da balança. Dificilmente alguém aceitaria a ridícula sugestão de que lhe seria melhor estar aleijado ou de que mais fácil seria para ele e para todos se ficasse cego; mas talvez se deixaria levar pela crença mesmérica de que para ele a morte seria uma bênção ou facilitaria as coisas para a sua família. Este tipo de raciocínio predomina na sociedade. Nos hospitais, os pacientes com diagnóstico de doenças terminais, por exemplo, seguidamente acompanham sessões de aconselhamento visando a ajudá-los a aceitar a morte como parte natural da vida. Não obstante, desde o ponto de vista da Ciência Cristã, a morte não pode ser parte da vida. As duas são exatamente opostas. A realidade é a Vida divina e sua expressão; a morte não tem existência—é uma contradição.

A falsa teologia—outro fator importante em impedir a cura – também apoiaria essa pretensão de que a morte é uma amiga que liberta as pessoas do sofrimento e das condições materiais. Mas este ensinamento está em conflito direto com a missão de Cristo Jesus, que superou toda materialidade, inclusive a morte. Se a morte fosse realmente uma amiga, isto contradiria a inspirada declaração de Paulo: “O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque todas as cousas (Cristo) sujeitou debaixo dos seus pés”.

A pretensão mesmérica de que a morte é inevitável e que é remédio a ser buscado, parece especialmente atraente nos casos de idade avançada. Mas o Cientista Cristão esclarecido está alerta e nunca lança seu peso na direção da morte, quer para si quer para outrem. Não temos por meta preservar a vida na matéria, e, sim, compreender a existência espiritual ininterrupta do homem—ver claramente que o homem nunca nasceu na matéria e, portanto, nunca pode morrer na matéria, que ele coexiste com Deus, expressando a eterna vida espiritual. A experiência humana reflete nossa aceitação atual da realidade divina e por isso a situação humana corresponderá de maneira apropriada à nossa compreensão no presente. “Como” não é da nossa preocupação. A nossa responsabilidade é apenas a de lançar todo nosso pensamento no lado da Vida.

Resumindo, podemos relembrar o que foi dito anteriormente: que precisamos não só ver o erro como uma falsa pretensão, mas também, persistir até perceber que, em realidade, não existe tal pretensão. A Sra. Eddy declara: “Dizer que há uma falsa pretensão chamada doença é admitir tudo o que a doença é; pois esta não passa de uma falsa pretensão. Para sermos curados, precisamos perder de vista uma falsa pretensão”.

Referindo-se ao anjo no Apocalipse que “se apresentou com balanças para pesar os pensamentos e ações dos homens”, a Sra. Eddy escreve: “Viestes para serdes pesados; e, no entanto, eu não vos pesarei nem vos farei pesar. Por quê? Porque Deus faz tudo e não há nada no prato oposto da balança. Não há dois pratos—Mente e matéria. Precisamos libertar-nos desse conceito. Da forma como geralmente pensamos, imaginamos que tudo estará bem se lançarmos algo no prato da Mente, mas precisamos compreender que a Mente não é pesada com a matéria; somente então estaremos trabalhando de um só lado e em conformidade com a Ciência”.

Não há oposição a Deus. Lemos em Jó: “Se ele resolveu alguma cousa, quem o pode dissuadir? O que ele deseja, isso fará”. Frente à totalidade, não pode haver lado oposto—nada no prato oposto da balança! Que não existe nada no prato oposto da balança fica provado, em certo grau, cada vez que uma cura acontece por meio da oração na Ciência Cristã.

(De O Arauto da Ciência Cristã)

Para Obter A Cura: Ponha Seu Peso No Prato Certo- 2

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Deus é Tudo—é a única consciência. Como Deus é a Mente divina, Deus expressa Sua sabedoria no homem. Uma vez que a ação criativa da Mente é “saber”, nada se cria—não existe—a não ser que Deus o conheça. O homem, como uma imagem na Mente divina, sabe apenas o que a Mente lhe faz saber pela lei do reflexo. Deus é onipresente, onipotente, onisciente—é Tudo-em-Tudo. Portanto, nada há para proclamar uma pretensão contrária! Como Cristo Jesus o disse, o erro, o mal, é “mentiroso e pai da mentira”. A crença em qualquer forma de materialidade é uma falsidade em si própria, não tem origem nem lugar para existir, não tem ninguém para conhecê-la nem tem nenhum efeito. Ciência e Saúde deixa claro o nada do erro, nas seguintes palavras: “A ilusão, o pecado, a doença e a morte resultam do falso testemunho do sentido material, o qual, de um ponto de vista hipotético fora da distância focal do Espírito infinito, apresenta uma imagem invertida da Mente e da Substância, onde tudo se apresenta de cabeça para baixo”. Imagine-se o falso testemunho apresentando uma imagem invertida baseada num suposto ponto de vista fora da distância focal do Espírito infinito! Está claro que não pode haver aranhas nem pessoa mesmerizada! Não pode haver nenhum ataque cardíaco nem a pretensão de que haja algum! A mente mortal é “mentirosa” e é o “pai da mentira!”.

Raciocinar desse modo em oração e compreender que o indivíduo passa a ser a maioria quando seu pensamento se coaduna com a lei divina, faz a luz do Cristo incidir sobre a situação humana específica e lança nosso peso no prato da cura. Mas os estados de pensamento anteriormente mencionados—o medo, o sentido pessoal, a comiseração, a falsa responsabilidade, a participação mesmérica no erro e a falsa educação nas crenças e leis materiais—lançariam nosso peso em sentido contrário à cura.

Atualmente, o maior impedimento para a cura, no movimento da Ciência Cristã, talvez esteja na tentativa de misturar o tratamento pela Ciência Cristã com remédios materiais. Tal procedimento simplesmente não funciona! O tratamento pela Ciência Cristã afirma que o homem é espiritual. Quando alguém inverte seu curso e procura ao mesmo tempo remédios materiais ou busca diagnóstico médico, está realmente declarando: “Sou material”. Um método anula os efeitos do outro na balança da confiança mental, e a cura fica bloqueada até que a frivolidade de misturar os métodos seja compreendida e abandonada. Alguém pode até atrasar sua cura sem que, de fato, chegue a consultar um médico ou tomar remédios. Se, enquanto alguém recebe tratamento pela Ciência Cristã, mantiver no fundo da consciência a ideia de que, não sendo curado espiritualmente, ainda poderá recorrer à medicina, isto já é suficiente para impedir a cura. Enquanto sua confiança e esperança estiverem divididas entre Deus e a matéria, tal divisão impedirá a pessoa de ter confiança radical no Espírito suficiente para fazer pender a balança para o lado certo. Assim, a fim de efetuar a cura espiritual num caso desses, é preciso negar diretamente a pretensão de que o homem possa ser doutrinado com crenças materiais. Falando cientificamente, a falsa educação que um paciente parece manter em pensamento faz tão pouca parte dele como a doença; e somente necessita ser corajosamente enfrentada e curada.

NOTA: Respeitando a autora e sua experiência como praticista, não alterei em nada as suas colocações. Porém, contra fato não há argumentos, e eu, por mim mesmo, acompanhando no decorrer de muitos anos, diversos pacientes hospitalizados, constatei seguidas “curas espirituais”, provando que Deus não reconhece nenhum obstáculo às curas e, também, que ser humano, tomando ou não remédios, não impede a cura divina. Por isso, eu não compactuo com as afirmações do artigo nesse sentido. Quem discordar de mim, dou-lhe todo direito!

Dárcio.

 

Continua..>

Para Obter A Cura: Ponha Seu Peso No Prato Certo- 1

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Quando eu era jovem, meu pai foi transferido para uma pequena cidade num estado distante. Primeiro, a família toda fez a viagem e depois meu pai voltou para completar a mudança. Enquanto ele estava fora, adoeci grave e repentinamente. Logo a seguir, tive febre muito alta e fiquei incapacitada de mover as pernas normalmente.

Embora naquela época minha mãe já estivesse interessada na Ciência Cristã, não lhe ocorreu apoiar-se na Ciência para cura, nessa situação em particular. Assim, lá estava ela—num lugar estranho, sem conhecer ninguém, sem telefone, sem condução e com uma filha desesperadamente doente.

Em pânico, ela correu para uma casa próxima, procurando alguma ajuda. Ficou sabendo que o único médico da comunidade se encontrava a serviço numa cidade vizinha. Foi-lhe assegurado que ele viria logo que possível! A casa na qual ela usou o telefone era uma pensão, e duas senhoras que lá moravam acompanharam-na bondosamente de volta ao lar, para dar apoio à sua nova e assustada vizinha.

Quando elas entraram em meu quarto, encontraram-me delirando em febre, num balbuciar incoerente. Uma das senhoras pôs a mão na minha testa e, cheia de medo, exclamou: “Essa criança está ardendo em febre!” Justamente quando o medo de minha mãe aumentava ainda mais, a outra senhora adiantou-se e calmamente declarou com grande autoridade: “Mas essa criança está perfeitamente bem”. Minha mãe conta-me que cada vez que aquela senhora falava, mamãe sentia o medo diminuindo. A senhora continuou a conversar comigo como se nada houvesse de errado—perguntou-me se eu já vira seu cachorrinho. Bem depressa, conversei coerentemente com ela e logo depois, tranquilamente, adormeci.

Quando o médico chegou, examinou-me e não pôde encontrar nada de errado! Achou que havia ocorrido um engano. Na manhã seguinte eu estava de pé, normalmente, como se nada tivesse acontecido.

Quanto mais mamãe ponderava sobre minha inacreditável cura, mais certa eu sentia de que o que ocorrera estava relacionado com aquela amável vizinha que lhe havia acalmado o medo. Após indagar, ficou sabendo que a senhora era Cientista Cristã—e não somente Cientista Cristã, mas praticista da Ciência Cristã! E foi aquela a primeira cura ocorrida em nossa família.

Bem, por certo a praticista não me dera tratamento pela Ciência Cristã sem ter sido solicitada. Mas obviamente havia lançado o peso de seu próprio pensamento no prato da Verdade e da saúde, esperando somente o bem—em vívido contraste com a outra senhora, que, embora também se preocupando e desejando ajudar, sem querer dera impulso negativo no caso, ao temer desorientadamente o pior e provocar ainda maior medo e pavor no ambiente.

Todos desejamos que o nosso cuidado pelos outros tenha efeito sanador em vez de ser inútil ou, mesmo, nocivo. Portanto, se formos nós o paciente, o praticista, o enfermeiro da Ciência Cristã, ou membros ou amigos da família, é extremamente importante atentarmos para que a influência do nosso pensamento pese em favor da cura e não se torne, inadvertidamente, em obstáculo nalguma situação.

A Sra. Eddy escreve em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “Tua influência para o bem depende do peso que lançares no prato certo da balança”. E: “Se os pratos da balança estão bem equilibrados, o tirar um peso de qualquer dos pratos dá preponderância ao outro. Qualquer influência que puseres do lado da matéria, estarás tirando da Mente, que, de outro lado, preponderaria a tudo mais”.

Pode-se usar a metáfora de pratos da balança para representar com ela tanto o pensamento individual como, num sentido mais amplo, a assim chamada consciência humana, a consciência humana coletiva e sua noção atual da natureza da realidade. Num dos pratos da balança estaria o peso da crença material e no outro prato teríamos o peso da compreensão espiritual. A cura ocorre em determinado caso quando, pelo efeito da oração, concentra-se maior peso no prato espiritual—quando o pensamento se apóia com maior vigor na realidade espiritual do que na ilusão material.

Suponha estar você na companhia de um amigo e este sofre de uma alucinação mental. Ele imagina estar com o corpo coberto de aranhas, centenas delas. Está totalmente apavorado e, é lógico, você quer ajudá-lo. Fará o quê? Pegará num matador de moscas e tentará eliminar as aranhas? Ou talvez recomendará um bom inseticida? Irá lamentar-se com ele por estar ele nessa aflição horrível?

Certamente que não! Se você o acompanhasse no sonho e se deixasse se envolver pela ilusão, ficaria incapacitado de ajudá-lo. Portanto, você permanece fora do sonho e desperta seu amigo para a realidade, rompendo o mesmerismo. Você convence seu amigo de que não há nele aranha nenhuma—que toda a cena é mero fruto de uma falsa impressão, que ele está totalmente a salvo. Como estudante de Ciência Cristã, você vai mais além. Afirma que Deus é a Mente de seu amigo—a única Mente. Portanto, seu amigo não está sujeito ao falso medo. Não ocorreria a você cuidar das aranhas. Você sabe que aí não há nenhuma! Ao contrário, enfrenta o problema e elimina a crença insana de estar seu amigo coberto de aranhas. Você lida com a situação ao nível do mesmerismo.

Agora, suponha você estar com um paciente, ser o praticista ou o enfermeiro dele; ou, suponha estar com um ente querido e este sofrendo um ataque cardíaco. Aí, tudo já soa mais real do que imaginárias aranhas, não é mesmo? Assim se dá devido a nossa educação errônea nas crenças materiais. Mas, não é isso também uma ilusão? O homem, como reflexo de Deus, como Sua própria imagem e semelhança, é necessariamente tão incapaz de ter um ataque cardíaco como Deus o é! No livro de João encontramos as palavras de Cristo Jesus: “O Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai;… assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo”.

A Vida e a substância do homem é Deus e nesta Vida e substância inclui-se sua saúde. O homem real é emanação divina. Ele expressa a própria perfeição eterna de Deus. O homem não tem condição mortal, material, nem má condição física.

Tudo quanto, de substância ou de ação espirituais foi falsificado no corpo material, está, de fato, perfeito. O conceito errado de coração ou de qualquer outro aspecto do corpo não é, nem um pouco, a verdadeira expressão da Mente. Nós todos refletimos, em formas individuais, a presença sustentadora de Deus, o grande coração do Amor. Como seria possível ao seu paciente ou ente querido sofrer um ataque cardíaco? Você e ele, ambos refletem a Vida. Ambos pertencem a Deus e por Deus são governados. Para Deus não há oposição.

Portanto, veja você, uma crise dessas é uma cena ilusória, pois é uma impossibilidade! E, na medida em que mantivermos o pensamento acima do quadro do sonho mortal, acima da falsa educação de que algo precisa ser feito fisicamente ao coração(como às aranhas, no exemplo anterior), na medida em que permanecermos acima do sentido pessoal errôneo e da falsa responsabilidade—nessa mesma medida lançaremos, de fato, nosso peso no prato certo da balança.

Compreender que um problema é apenas uma falsa pretensão não basta. Saber que é uma falsa pretensão nos conforta e nos prepara para orar ainda mais, mas não basta para efetuar a cura. É preciso continuar o raciocínio em oração, até compreendermos que não existe tal pretensão!

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O Foco Absoluto Da Ciência Cristã

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Quando falamos que o ensinamento absoluto da Verdade é o único fiel à Verdade, isto se deve à própria Verdade, uma vez que a premissa do estudo diz que DEUS É TUDO, TUDO É DEUS! Enquanto “algo de humano” ou “algo de terreno” for levado em consideração, concorde alguém ou não, o estudo não será da Verdade, mas  de uma mescla de princípios espirituais com  ilusão, ou seja, ALGO ALÉM DE DEUS, QUE É NADA, ESTARÁ SENDO TAMBÉM LEVADO EM CONTA COMO EXISTENTE!

Dificilmente encontramos autores difundindo a Verdade pura! E, mais raro ainda, é acharmos alguém que esteja desejoso de extinguir a CRENÇA EM ESTUDANTE DA VERDADE, para se dedicar totalmente ao reconhecimento de SER A VERDADE!

Mary Baker Eddy, fundadora da Ciência Cristã, deu ao ensinamento este nome, Ciência Cristã, por ter-lhe sido revelada  a Verdade da TOTALIDADE DE DEUS; de início, tinha achado que a humanidade fosse  receber de braços abertos esta revelação absoluta. Não foi o que aconteceu! Nas suas primeiras exposições, afirmando aos supostos alunos: “VOCÊS SÃO DEUS!”, logo percebeu que a receptividade não era a esperada! E foi quando passou a revisar o livro “Ciência e Saúde”, que continha as revelações, usando uma terminologia mais branda e aceitável, chegando até a comentar: “Se eu esconder mais ainda a Verdade, ela ficará novamente perdida!”.

O fato é que a Ciência Cristã não foi entendida até agora! Masaharu Taniguchi, fazendo comentário sobre ela, disse ser “Budismo em linguajar de Cristianismo”; Yogananda, escrevendo sobre a Ciência Cristã, mostrou também não a ter entendido, encarando o ensinamento dentro da dualidade! O mesmo se deu com Joel S. Goldsmith, que foi  praticista por vários anos da Ciência Cristâ, e saindo dela depois, dizendo ser “ensinamento mental”.

A Verdade é outra: a Ciência Cristã é revelação ACIMA DA MÍSTICA e ACIMA DA MENTE HUMANA! Que isto quer dizer? O seguinte:

 VOCÊ É DEUS NO REINO DE DEUS, AQUI E AGORA, SEM PRECISAR DE ORAR, DE MEDITAR, DE CONTEMPLAR, SEM PRECISAR DE COISA ALGUMA! DEUS É TUDO, TUDO É DEUS, E DEUS NÃO PRECISA DE FAZER NADA!

Aquele que aceitar esta Verdade imediata e radicalmente desta maneira, estará aceitando-a como Jesus a aceitava, ou seja, vendo O REINO COMO REALIDADE ÚNICA, VENDO-SE A SI MESMO COMO FILHO ESPIRITUAL DE DEUS, E ENTENDENDO O MUNDO COMO IRREAL: UM MUNDO DO PAI DA MENTIRA!

Por que tanto é enfatizado que a Verdade Absoluta deve ser “contemplada”? Porque a “contemplação” é a derradeira “concessão ao mundo”, feita unicamente para vê-lo VENCIDO! Enquanto a humanidade não sentir desprezo total pelo “mundo de aparências”, esta CRENÇA COLETIVA terá de ser anulada diariamente com ajuda dos “princípios absolutos” e das “contemplações”.  

AQUELE QUE ACREDITAR SER DEUS,  JÁ AGORA NO REINO DE DEUS, DE FORMA TOTAL, RADICAL, ABSOLUTA E PERMANENTE, SERÁ AQUELE QUE NÃO MAIS TERÁ RESQUÍCIOS DE VIDA HUMANA OU TERRENA EM SUA ACEITAÇÃO! E A CIÊNCIA CRISTÃ É ESTA CONDIÇÃO, RAZÃO PELA QUAL  ESTÁ  ACIMA DA MÍSTICA E DO MENTAL, E  ASSIM DEVE SER ENTENDIDA! Querer defini-la em linguagem dualista é unicamente manchá-la em nome da ignorância!

Aquele que se vê SENDO DEUS, e se vê NO REINO DE DEUS – AQUI E AGORA – ESTE É CIENTISTA CRISTÃO! É ESTE O FOCO DO CRISTO – PERMANECER EM MIM!

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Não Existe Tempo No “Eu Sou” -2

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Todo o bem do passado é evidência tangível da presença do “Eu Sou” junto ao homem. Todo o mal foi uma falsa crença, ou mentira, e nunca, em momento algum, a Verdade de Deus ou de seu reflexo, o homem. O bem é eterno. É uma qualidade espiritual e por isso indestrutível. Um verso de um hino do Hinário da Ciência Cristã diz: “Pois todo o bem que já passou,/Presente está no meu viver”.

Não precisamos nunca ter medo do futuro. O medo sempre se conjuga no futuro imperfeito, ou condicional. Mas se há só o agora de nossa coexistência com Deus, não existe “se” ou “quando” para ser abordado com medo. O homem, presentemente e sempre, está refletindo a Mente divina, Deus. Pense na liberdade que isso representa! Acaso a mente mortal, o pensamento com base na matéria, diz-nos que nossa situação talvez piore amanhã? Ou que nosso rendimento diminuirá ou nossos relacionamentos se desfarão no futuro? Não se impressione. Fique no agora, com Deus. Reconheça o abundante, amoroso cuidado de Deus, que neste instante e sempre se expressa. Nunca vai haver mais presença de Deus do que já está disponível neste momento, pois Ele enche todo o espaço eternamente, e é onipotente.

Ao ganhar domínio sobre a crença de sermos manipulados pelo tempo, também nos libertamos da pressa. Tenho disso um exemplo significativo, ocorrido há alguns anos. Uma de minhas filhas e eu planejáramos assistir juntas a uma conferência da Ciência Cristã. No emprego, ela demorou-se para além do normal e por isso chegou atrasada em casa. O relógio dizia que tínhamos menos de vinte minutos para percorrer uma distância que levava pelo menos trinta e cinco minutos, em condições favoráveis.

Depois de aproximadamente um quilômetro e meio a cruzar entre as faixas menos congestionadas da pista, minha filha disse: “Oh Mãe, por que é que não diminuis a velocidade e deixa que Deus nos leve lá a tempo?” A repreensão era necessária e foi aceita. Diminui a velocidade até ao limite permitido. Sabia que ela estivera orando (provavelmente por sua própria segurança!) e passei a orar também, com fervor. Declarei mentalmente que Deus não conhece o tempo ou qualquer tipo de limitação. Reconheci que era certo participar duma atividade inspirada como o é uma conferência da Ciência Cristã, e afirmei que toda faceta desse acontecimento era governada pela lei divina, inclusive chegar na hora pontual e em segurança. Perdi a noção do tempo e fiquei aliviada da ansiedade. A viagem foi serena e harmoniosa. Quando nos sentamos no auditório, um grande relógio de parede indicava faltarem cinco minutos para a conferência começar. O tempo não parara, mas havia, nessa ocasião, sido ultrapassado.

Essa experiência, embora relativamente pequena, indica o poder de Deus demonstrado por Jesus, quando caminhou sobre as águas revoltas pela tempestade de encontro ao barco onde seguiam seus discípulos e “eles de bom grado, o receberam, e logo o barco chegou ao seu destino”. Ele compreendeu que o ser verdadeiro é inteiramente espiritual, governado apenas por Deus, liberto das assim chamadas leis do tempo e do espaço.

O tempo não é uma força real, dominadora e tirânica. Reconheçamos o que ele é: um sistema para medir a atividade humana, que será finalmente substituído por nossa compreensão e demonstração do poder e presença do “Eu Sou” e do ser espiritual que independe de tempo.

(Transcrito de O Arauto da Ciência Cristã – Março 1996)

Não Existe Tempo No “Eu Sou” -1

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Em resposta à pergunta: “Que é Vida?”, a Sra. Eddy escreve em Ciência e Saúde: “Vida é o princípio divino, Mente, Alma, Espírito. A Vida não tem começo nem fim. O que exprime a ideia de Vida é a eternidade, não o tempo, e o tempo não faz parte da eternidade. Um cessa na proporção em que o outro é reconhecido. O tempo é finito: a eternidade é para sempre infinita”.

No Glossário do mesmo livro, tempo é definido, em seu sentido metafísico, como “medidas mortais; limites dentro dos quais estão reunidos todos os atos, pensamentos, crenças, opiniões e conhecimentos humanos; a matéria; o erro, aquilo que começa antes e continua depois daquilo que se denomina morte, até que o mortal desapareça e a perfeição espiritual apareça”.

Será que isso significa que temos de morrer, antes de podermos ultrapassar os limites impostos pelo conceito chamado tempo? Não, porque nosso verdadeiro ser já é, agora, o reflexo perfeito da Vida divina, eterno, intocado pelo tempo, e não temos de esperar para começar a comprovar isso.

O mundo material, isto é, a visão do mundo através dos sentidos físicos, declara que nossas atividades são governadas e ditadas pelo tempo. Mas essa não é a realidade da vida, que é eterna, existindo em Deus e proveniente de Deus. O pensamento baseado na matéria declara que o homem nasce em determinado momento da história humana, amadurece e eventualmente envelhece, tudo por causa dessa coisa invisível chamada tempo. Qual seria o poder que se encontra em meras revoluções dos planetas em suas órbitas, capaz de arruinar o ser do homem? É um erro fatal a teoria de que o homem viva em segmentos chamados horas, dias, semanas e anos e que esses segmentos acumulados possam causar declínio e morte.

Na Ciência Cristã, aprendemos que, de acordo com a Bíblia, Deus criou o homem à Sua imagem. As Escrituras também declaram que Deus é Espírito. Segue-se então que o homem, por ser a imagem de Deus, tem de ser espiritual, imortal, e não está sujeito ao tempo.

Isso não é mera teoria, mas Verdade demonstrável. No entanto, não podemos demonstrar esse fato, se temos uma compreensão incorreta de Deus ou se consideramos o homem uma criatura composta por uns tantos centímetros cúbicos de substâncias químicas. A natureza de Deus é apreendida não por meios físicos, mas através do sentido espiritual, essa santa voz intuitiva na consciência individual.

Parte da definição de Deus, em Ciência e Saúde, é: “O grande Eu Sou”. Essa é exatamente a definição que Deus dá de si próprio a Moisés. Eu Sou, no indicativo presente. Significa uma presença constante. Não existe nenhum indício de passado ou futuro. Eu Sou não se contém numa moldura temporal. Apenas é. Ninguém pode imaginar Deus como “começando” em certo ponto nem tampouco “acabando”. Por isso o homem, como reflexo de Deus, ou semelhança, é tão eterno quanto Deus. Essa é nossa natureza verdadeira. Jesus explicou a eternidade, a ausência de tempo em sua identidade espiritual, o Cristo, quando disse aos judeus: “Antes que Abraão existisse, eu sou”.

Como é que isso tudo se aplica ao nosso dia a dia? No seguinte: abandonar os padrões antiquados de pensamento sobre o tempo e procurar compreender o ser onipresente de Deus e Sua expressão incessante, o homem, diminui o medo à mortalidade. Acabamos por compreender que o homem não pode morrer porque Deus, seu Criador e constante mantenedor, não pode morrer. Aquilo que parece deteriorar-se ou morrer, é a falsa percepção do homem, apresentada pelos sentidos materiais que, por sua própria natureza, apenas podem descrever aquilo que é material, mortal e temporal. Mas Deus, o Espírito, não conhece, não cria nem reside na matéria. E como semelhança de Deus, o homem não é material, mas espiritual. A matéria não é uma coisa, é a contrafação da verdadeira substância do Espírito.

A compreensão de Deus como “Eu Sou”  não destrói apenas o medo de morrer, mas ajuda-nos a curar um passado infeliz ou o receio do futuro. O passado é tão somente um conceito mortal, definido pelo que albergamos a respeito na consciência, neste exato momento. Aquilo que de fato se desenrola agora, ou em qualquer altura, é Deus, o “Eu Sou”, expressando-Se em harmonia perpétua. Nada existe fora do infinito Deus e Sua infinita ideia, o homem, que seja capaz de causar uma interrupção do bem. Existe apenas a perfeição espiritual neste momento, e neste momento, e neste momento…

Continua..>

Um Sermão Proferido Em Boston-2 (Final)

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O reino dos céus é o reinado da ciência divina: é um estado mental. Jesus disse que está dentro de vós, e ensinou-nos a orar “Venha o teu reino”; mas ele não nos ensinou a orar pedindo a morte a fim de ganhar o céu. Não recorremos à escuridão em busca da luz. A morte jamais pode ser a precursora do despontar da Ciência que revela os fatos espirituais da Vida do homem, aqui e agora.

O fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha é a Ciência divina; o Consolador, o Espírito Santo que guia a toda a Verdade; “o cicio tranquilo e suave” que emana Sua presença e poder, expelindo o erro e curando o doente. E a mulher, a ideia espiritual, toma todas as coisas de Deus e as mostra à criatura, até que todo o senso do ser seja levedado pelo Espírito.

As três medidas de farinha bem podem ser comparadas ao senso equivocado de vida, substância e inteligência, o qual diz: sou sustentado pelo pão, matéria, em vez de pela Mente. O fermento espiritual da Ciência divina muda esse senso equivocado, proporcionando melhores perspectivas de vida, dizendo: A vida do homem é Deus; e quando isso se manifestar, será a substância das coisas que se esperam”.

A medida da Vida aumentará a cada toque espiritual, assim como o fermento faz crescer a massa do pão. O homem celebrará a festa da Vida, não com o antigo fermento dos escribas e fariseus, nem com o “fermento da maldade e da malícia e sim com os asmos da sinceridade e da verdade”.

Assim se pode ver que a Ciência da cura mental tem de ser compreendida. Há falsos cristos que pretendem “enganar, se possível”, estabelecendo a matéria e seus métodos no lugar de Deus, a Mente. Sua suposição é de que existam outras mentes além d’Ele; que uma mente controla outra; que uma crença tome o lugar de outra. Mas esse ismo de hoje nada tem a ver com a Ciência da cura mental que nos faz conhecer a Deus e revela a Mente perfeita, única, e Suas leis.

A tentativa de misturar a matéria e a Mente, de trabalhar com os meios tanto do magnetismo animal quanto do poder divino, é como dizer, literalmente: Porventura em teu nome não expelimos demônios, e não fizemos muitos milagres?

Mas lembrai-vos de Deus em todos os vossos caminhos e encontrareis a verdade que rompe o sonho dos sentidos e permite a entrada da harmonia da Ciência que declara a Ele, trazendo cura, paz e perfeito amor.

(De O Arauto da Christian Science – março 1998)

 

 

 

Um Sermão Proferido Em Boston-1

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O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.
Mateus 13:13

Atualmente pouca gente sabe alguma coisa sobre a Ciência da cura mental; e há tanta gente que, em nome da Ciência, impõe sua ignorância ou seu falso conhecimento à opinião pública, que é obrigação de todos aqueles que estão revestidos das armas da luz conservar brilhante sua invencível armadura: ser modestos em relação a suas demonstrações e manter reivindicações e seu viver firmemente alicerçados na Verdade.

Ao disseminar a Palavra com amor, mas separando joio do trigo, declaremos o positivo e o negativo da ciência metafísica; aquilo que ela é e aquilo que ela não é. Protestantes num sentido mais elevado do que nunca, intrépidos e esquecidos de nossos próprios interesses, enfrentemos e derrotemos as pretensões dos sentidos e do pecado, a despeito das censuras ou dos clãs que derramam sobre nós o seu fogo; e o amor, alado de branco, pairando sobre todos, cobrirá com suas plumas o pecador mais empedernido.

A Mente divina e infalível mede o homem, até que as três medidas fiquem levedadas e ele chegue à plenitude da estatura; pois “reina o Senhor, nosso Deus, o Todo-poderoso”.

A Ciência é divina: não é de origem humana nem procede de diretrizes humanas. As chamadas “ciências naturais”, cujas evidências são percebidas pelos cinco sentidos pessoais, apresentam apenas um senso finito e tênue da infinita lei de Deus; lei essa que está inscrita no coração, é recebida por meio das afeições, é compreendida espiritualmente e demonstrada em nossa vida.

Essa lei de Deus é a Ciência da cura mental, espiritualmente discernida, compreendida e obedecida.

A Ciência mental e os cinco sentidos pessoais estão em conflito; e a paz só pode ser declarada do lado do direito imutável, – a saúde, a santidade e a imortalidade do homem. Para obter esse resultado científico, é preciso compreender e acatar a regra primordial e fundamental da Ciência; ou seja, a declaração frequentemente repetida nas Escrituras, de que Deus é o bem; portanto, o bem é onipotente e onipresente.

A filosofia antiga e a moderna, a razão humana ou os teoremas dos homens enunciam erradamente a Ciência mental, seu princípio e sua prática. Nesse ponto, a mais esclarecida compreensão nada vê senão uma lei da matéria.

Quem alguma vez aprendeu nas escolas que só existe uma Mente única, e que esta é Deus, que cura todas as nossas doenças e pecados?

Quem alguma vez aprendeu nas escolas, na filosofia pagã ou na teologia escolástica, que a ciência é a lei da Mente e não da matéria, e que essa lei não tem nenhuma relação com a matéria nem a reconhece?

A Mente é sua própria grande causa e efeito. A Mente é Deus onipotente e onipresente. Que dizer, então, de uma teoria oposta, assim chamada ciência, a afirmar que o homem é tanto matéria como mente, e que a Mente está na matéria: Pode o infinito estar dentro do finito? E não deve o homem haver preexistido, no Tudo e Único? Acaso existe uma mente má sem ter espaço para ocupar, sem ter poder para agir nem vaidade para se apresentar como sendo o homem?

Se Deus é Mente e preenche todo o espaço, se está em toda parte, a matéria não está em lugar nenhum e o pecado é obsoleto. Se a Mente, Deus, é todo poder e todo presença, o homem não se depara com outro poder ou presença que, – obstruindo sua inteligência – lhe causa dor, o acorrenta e o engana. A perfeição do homem está intacta; de onde vem, então, algo além d’ELE, que não é a contraparte, mas sim a contrafação do criador do homem? Por certo não vem de Deus, pois Ele fez o homem à Sua própria imagem. De onde vem, então, o átomo ou molécula chamada matéria? Porventura foi formada pela atração e coesão? Mas essas forças são leis da matéria, ou leis da Mente?

Para que a matéria seja matéria, deve ter sido criada por si mesma. A Mente não tem poder para produzir ou para criar a matéria, assim como o bem não tem poder para produzir o mal. A matéria é um enunciado errôneo sobre a Mente; é uma mentira, pretendendo falar contra a Verdade e negá-la; é idolatria, tendo outros deuses; é o mal, pretendendo ter presença e poder sobre a onipotência!

Esclareçamos as abstrações. Coloquemo-nos na presença d’Aquele que remove todas as iniquidades e sara todas as nossas enfermidades. Unamos nosso conceito da Ciência àquilo que toca o sentimento religioso íntimo do homem. Abramos nossas afeições ao Princípio que tudo move em harmonia, – desde a queda de um pardal até o voltear de um mundo. Acima da ursa com seus filhos, está a Ciência da cura mental, mais ampla que o sistema solar e mais alta que a atmosfera de nosso planeta.

O que é o reino dos céus? A morada do Espírito, o reino do real. Ali não existe matéria, ali não existe noite – nada que idealize ou pratique a mentira. É porventura distante esse reino? Não: está sempre presente aqui. A primeira a declarar-se contra esse reino é a matéria. Porventura será chamada heresia aquilo que advoga a favor do Espírito – o Tudo de Deus e Sua onipresença?

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Utilize Seus Olhos

 

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Jesus Cristo sempre ficava consternado ao ver que as pessoas à sua volta não conseguiam ver o que ele via.

Mais de uma vez ele perguntou: “ Vocês têm olhos e não enxergam?” – Marcos 18:8

Quando desafiado por milhares de bocas famintas a serem alimentadas, os discípulos viram carência. Jesus viu alimento suficiente para todos.

Quando desafiado com o cobrador de impostos, Pedro ficou parado em frente dele de mãos vazias. Jesus viu o dinheiro à mão.

Quando o filho da viúva de Naim faleceu, todos viram um corpo sem vida. Jesus viu um jovem capaz de levantar-se e andar.

Quando desafiado pela crucificação, quase todos viram o fim do seu ministério. Jesus viu o começo.

Jesus sempre via mais do que aqueles à sua volta conseguiam ver. Por quê? Porque ele se apoiava em seus olhos espirituais para discernir a verdade. Ele podia ver espiritualmente o que o sentido material jamais poderia discernir materialmente.

E nós podemos aprender a fazer o mesmo.

Mary Baker Eddy deu esta definição iluminada de olhos em Ciência e Saúde. Ela escreveu:

OLHOS. Discernimento espiritual, — não material, mas mental (p. 586).

A verdadeira visão não é ver objetos materiais, ou a falta deles. A verdadeira visão é discernir a realidade espiritual e ver o que Deus criou, em primeiro lugar.

A visão consiste em ver a abundância, a vida, o amor, a harmonia, a ordem, a plenitude, a saúde, as soluções e as respostas. A visão é metafísica e acontece na Mente. E todos nós precisamos utilizá-la.

Portanto, se você não está vendo o suprimento hoje, utilize seus olhos! Olhe para a Mente infinita e você encontrará a solução para o seu problema.

Se você não está vendo a saúde, utilize seus olhos! Olhe para a Verdade e você vai descobrir que a força e o bem estão presentes.

Se você não está vendo amor, utilize seus olhos! Olhe para o Amor infinito, e você encontrará conforto abundante e razões para celebrar a alegria à sua volta.

O que você discerne espiritualmente vai transformar o humano e colocá-lo mais em linha com o divino.

Utilize seus olhos hoje e veja como é bom fazê-lo!

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A Verdadeira Consciência Não Pode Ser Invadida

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Na Ciência Cristã, aprendemos que a consciência não está sujeita a ser invadida por forças mentais malignas. Essa verdade tem vinculações profundas com a liberdade da humanidade. Como Deus é a Mente única, a verdadeira consciência procede de Deus e está absolutamente imune a influências malignas. E, de fato, não existem forças mentais malignas que possam influenciar o homem criado por Deus. Essa verdade oferece base muitíssimo alentadora para todo aquele que deseja orar pela capacidade, dada por Deus à humanidade, de despertar e vencer as aparentes investidas do mal contra o pensamento.

Quer estejamos orando por nós mesmos, quer por outra pessoa ou pela humanidade em geral, temos nossa defesa na compreensão espiritual de que o homem só é governado por Deus. Nossa verdadeira identidade é a do homem espiritual, o próprio reflexo de Deus. O homem não tem uma consciência própria, sua, separada de Deus, a qual possa dar expressão ao mal ou da qual possa se apossar. Todos os pensamentos estão estabelecidos pela Mente divina que é Deus, o bem, e dela procedem.

Contudo, aos sentidos materiais, talvez pareça que a humanidade seja suscetível a todas as formas de influências insidiosas – tentações que brotam da crença de que a vida exista na carne e seja da carne. A Sra. Eddy escreve em Ciência e Saúde: “Em um mundo de pecado e de sensualidade, que se precipita para um maior desenvolvimento de poder, é prudente considerar a sério se é a mente humana ou a Mente divina que nos está influenciando.”

Estar alerta às sugestões do pecado e da mortalidade e resistir a seu aparente empuxo ou atração, são passos necessários para se vencer as influências errôneas. Esse estado de alerta é o resultado natural de começarmos o dia alicerçados na oração sincera, e de nos mantermos firmes nesse alicerce. Tal oração reconhece que cada indivíduo, em toda parte, é, realmente, a ideia espiritual de Deus, é o homem criado pela Mente divina. Estaremos ajudando a nós mesmos e, bem assim, a toda a humanidade, quando nos dermos conta disso e soubermos que as supostas sugestões de medo e ódio não podem penetrar na Mente divina, a única Mente do homem. Porque o homem é espiritual, o homem é livre.

Sabermos que tanto a nossa verdadeira identidade como a dos demais é espiritual, e dispormo-nos a viver de acordo com essa verdade, desfaz as ilusões agressivas da mente carnal. Encontramo-nos cada vez mais receptivos à influência do Cristo, a Verdade – a Verdade salvadora por causa da qual expressamos as verdadeiras mensagens do Espírito, ou Deus, e só a estas respondemos.

Outro aspecto de nossa autolibertação das influências do pensamento mortal é o de entendermos que cada indivíduo, por ser o homem de Deus, é realmente inocente do mal. Jesus provou-o em sua própria vida humana. Não podemos curar a nós mesmos, ou a outrem, ou à humanidade em geral, quando partimos da premissa de que qualquer pessoa é inerentemente pecadora ou irremediavelmente culpada. A Sra. Eddy diz em Unity of Good: “Quanto mais compreendo a verdadeira natureza humana, tanto mais a vejo impecável – tão ignorante do pecado como o Criador perfeito.”

Embora aos sentidos materiais possa parecer que algum indivíduo está sendo enganosamente influenciado pelo erro, o problema realmente está sempre em crermos que um indivíduo ou um povo, como um todo, sejam instrumentos ou as vítimas de algum poder diabólico. Realmente, todo aquele que aceita a crença no mal irá sofrer a punição que acompanha a crença, até vir a ser redimido, pela atividade do Cristo em sua consciência. Permanece o fato espiritual de que, embora o pretenso poder tome a forma de governos repressivos, vírus invasores ou pensamentos sensuais, nada existe realmente além de Deus e o homem, Sua criação perfeita e isenta de pecado.

Se formos constantemente acossados por pensamentos de discórdia, bem poderemos perguntar-nos: “Será que estou sendo influenciado pela crença da mente humana, de que as pessoas são más, de que estão sujeitas ao mal?” Se houver resposta positiva, poderemos ser curados desse conceito errôneo e do medo e ódio que resultam dessa falsidade. A humanidade tem o direito de gozar da liberdade e da paz que são naturais ao homem criado por Deus.

É propósito vital da Ciência Cristã curar o conceito errôneo de que o mal é real e está dotado de poder. Mediante as revelações do Cristo, aprendemos que Deus é o bem infinito, a Mente única, ou Ego divino, que é a causa e o criador de tudo o que é real. O mal é, portanto, inteiramente desprovido de fundamento, carece de poder, presença, ação ou identidade. Não existe Princípio, nem Deus, a sustentar uma força, quer mental quer física, chamada o mal. A própria pretensão do mal e a crença no mal são coisas hipotéticas. E a consciência não pode ser invadida por aquilo que não tem nenhuma realidade! Com o progresso espiritual, torna-se natural conhecer essa verdade – saber que nossa consciência sagrada, dada por Deus, não pode ser invadida pelo nada.

Para usar uma analogia, a escuridão nunca penetra a luz. A escuridão não é uma coisas ou entidade real que pode penetrar a luz, mudar as condições da luz e tornar a luz em escuridão. A luz não pode ser assaltada e a escuridão é incapaz de lhe montar um ataque. Igualmente, a consciência humana, na proporção em que está iluminada pelo Cristo, não pode ser invadida pelo vazio da escuridão que se denomina o mal. Lemos em 1 João: “Ora, a mensagem que da parte dele temos ouvido e vos anunciamos, é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma.”

É necessário perceber o que a mente carnal haveria de sugerir como real, mas é ainda mais necessário corroborar a irrealidade completa de tudo o que é dessemelhante de Deus. Em vez de lutar contra o mal como se este fosse um poder capaz de se apossar de nós, podemos alçar nosso pensamento ao reino de Deus, ver o que está ocorrendo no Seu reino e deixar que a Verdade nos defenda.

Deus é Tudo. Deus não conhece coisa alguma fora de sua própria paz imperturbada. E porque Deus é Tudo, não existe coisa alguma fora d’Ele ou além d’Ele que possa invadir a consciência divina. A Mente divina não tem oposto maligno que venha a penetrar Sua totalidade e causar dano à Sua criação. Deus habita na serenidade, na quietude e na supremacia de Sua própria e terna bondade. O homem, como ideia de Deus, vive, prazenteiramente e a salvo, em Sua presença, que a tudo abrange. Quanto mais meticulosamente nos identificarmos, mediante o pensar e o agir crísticos, como o homem de Deus, tanto mais gozamos do domínio pacífico da Mente.

Por certo, Cristo Jesus demonstrou o domínio de Deus. Ao enfrentar a crucificação, manteve-se calmo diante desta indagação de Pilatos: “Não sabes que tenho autoridade para te soltar, e autoridade para te crucificar?” Respondeu Jesus com confiança: “Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada”. Jesus sabia que o mal não é poder nem mente nem influência real. Confiava de todo em Deus como o único poder. A consciência do Cristo, que Jesus corporificava, não era tocada ou afetada pela sugestão de haver um poder maligno. E, porque Jesus reconhecia sempre ser a supremacia de Deus o único poder, sua liberdade e demonstração de vida eterna eram inevitáveis.

Todos podemos usufruir disto, de estarmos livres da crença escravizadora de que nossa consciência possa ser invadida por qualquer pensamento ou elemento estranho à bondade de Deus. O status espiritual do homem – o que verdadeiramente somos como ideias incorpóreas de Deus, ideias que vivem inteiramente fora da crença na carne – é impérvio às pretensões espúrias da mente carnal, de que haja vida e inteligência na matéria. E, quanto mais vivermos nossa vida firmados no ponto de vista de que somos o homem espiritual criado por Deus, tanto mais conheceremos a paz e a liberdade que provêm de demonstrarmos, como a nossa própria, a consciência divina.

(De O Arauto da Ciência Cristã – maio 1986)