O PERDÃO SOB VISÃO ABSOLUTA

Dárcio

Eis a base de nosso enfoque: EXISTE SOMENTE DEUS! Quando algo errado parece existir, o que de fato ocorre é a “falta de percepção” da perfeição e da harmonia sempre existentes. Suponhamos que alguém se sinta magoado ou ressentido com outra pessoa, e que lhe recomendássemos que a perdoasse. Seria este um bom conselho? Sem dúvida! A intenção de perdoar alguém deve ser boa; mas, seria exeqüível? Todos conseguiriam fazê-lo? Sem deixar marcas na lembrança?

A maioria dos ensinamentos enfatiza o valor do perdão. Porém, se não houver um entendimento correto e absoluto de seu significado, a Verdade contida em sua prática poderá não ser percebida por completo. A ilusória “mente humana” sugere a existência de uma condição imperfeita, capaz de originar as mágoas e ressentimentos: em seguida, faz com que esta ilusão seja alimentada pela “necessidade de perdoar” a pessoa envolvida. E o suposto problema, que era apenas um, a mágoa, passa a ser visto como sendo dois: a mágoa e a necessidade do perdão.

Um dicionário comum assim define o perdão: “ato de dar como não cometida uma falta, renunciando a castigos e desforras”. Aquele que se dedica à PERCEPÇÃO da Realidade Divina já encontra semelhança entre esta definição e a Verdade absoluta de que EXISTE SOMENTE DEUS. Segundo os conceitos humanos, este perdão seria o “ato de dar como não cometida uma falta… .” Ampliando-se esta definição ou visão ao nível absoluto, observa-se que, devido à UNICIDADE e à ONIPRESENÇA da Perfeição divina, jamais houve, em tempo algum, o que se poderia denominar uma “falta” em todo o Universo. Assim, em termos absolutos, se não houve falta, não poderá haver perdão. Desse modo, o perdão não existe como realidade! E, paradoxalmente, pela percepção da inexistência do perdão, aos olhos do mundo estaremos perdoando infinita e incondicionalmente a todas as pessoas. O que estamos expondo é o seguinte: SOMENTE o discernimento da ONIATIVIDADE ESPIRITUAL DIVINA pode “gerar” no mundo visível o “perdão verdadeiro”, pois a ilusória mente humana é incapaz de fazê-lo a contento e de forma plena. Mas ao reconhecermos, em “silêncio contemplativo”, a Onipresença da Mente divina sempre sendo a Mente de “um” e de “outro”,  esta situação absoluta de harmonia aparecerá visivelmente como “reflexo”.

O reconhecimento radical de que vivemos num Universo espiritual perfeito promove a soltura da crença de que “houve a falta cometida” e de que “existe alguém para perdoá-la”, dando-a como não-cometida. EXISTE SOMENTE DEUS! EXISTE SOMENTE A PERFEIÇÃO! EXISTE SOMENTE O AQUI E O AGORA!

Pelo mesmo motivo, jamais recomendamos os chamados “exames de consciência”, pois seriam “exames de ilusão”. Como dissemos, os erros ou faltas aparentes, atribuídos a nós ou a alguém mais, nada mais são do que FALHA DE PERCEPÇÃO DA PERFEIÇÃO DIVINA SEMPRE PRESENTE. Fazer a mente rebuscar erros ou faltas aparentes, dando-lhes atenção como se realmente fossem fatos  existentes, apenas a impedirá, aparentemente falando, de perceber, aqui e agora, a mesma perfeição que  ela já havia demonstrado ter deixado de perceber anteriormente.

Uma coisa deve ficar bem clara: sob uma visão absoluta, perdoar “setenta vezes sete vezes” não implica ação alguma da chamada “mente humana”. Como dissemos, a Verdade a ser reconhecida é a de que a Consciência divina é a ÚNICA Consciência, minha ou sua, a ser reconhecida. Identifique-se unicamente com a SUA Mente verdadeira, idêntica à de Jesus Cristo, conforme as Escrituras nos revelam, e perceba que a ONIATIVIDADE DIVINA é a ÚNICA ação real sempre presente. Desse modo, a idéia errônea de “faltas cometidas” será dissipada, levando ao nada originário as práticas de “exame de consciência”, “arrependimento” e “perdão”.

Saiba ser este o mais elevado processo daquilo que o mundo rotula de “cura interior”, pois, leva em conta unicamente a Graça divina como a Ação real de sua Consciência Iluminada, que é o próprio Deus.

Deixe uma resposta