VOCÊ NÃO TEM NENHUM PODER SOBRE MIM! – 1

– I –

Certo dia ao chegar em casa na volta do trabalho, encontrei minha casa em situação angustiante. As crianças eram pequenas e estavam chorando, uma delas estava doente e minha esposa também. O clima era sombrio e eu estava deprimido. Orei pela recuperação de cada um, mas sem sucesso.

Foi então que ponderei com este ensinamento de Jesus: “Ninguém pode entrar na casa de um homem forte e roubar os seus bens, sem primeiro amarrá-lo; então, de fato, a casa pode ser saqueada” (Marcos 3:27, Nova Versão Padrão Revisada). Eu ainda não havia amarrado o “homem forte”; por isso a situação angustiante não mudara, concluí.

Portanto, mudei o foco das minhas orações. Ao invés de orar pela recuperação de alguns membros da família, orei para compreender a verdade mais ampla acerca do controle sempre presente e incontestável de Deus sobre nosso lar. Deus era o “homem forte” da nossa família, declarei; e não qualquer suposta mente maligna que age furtivamente. Compreendi melhor a verdade de que o mal não tem lugar, poder, nem presença em nosso lar, e que Deus é a única influência sobre nossa saúde e bem-estar, tanto individual como coletivamente.

O efeito foi maravilhoso! Todos recobraram a saúde. O pessimismo se dissipou, havia mais vivacidade no ar e a doença desapareceu rapidamente. Nosso lar era novamente um lugar feliz.

Aprendi uma valiosa lição com essa experiência, a de que o problema nem sempre é o que parece ser. Quando o sofrimento, a doença e o conflito surgem, a situação talvez pareça ter uma causa física. Mas essa conclusão pode estar incorreta. Talvez haja uma pretensão do mal, que está oculto, mas que precisa ser discernido e vencido pela oração. Tal como uma criança que se sente adoentada e não deseja ir à escola porque tem medo de enfrentar o “valentão” que a vem intimidando, a questão real com essa criança não é a doença. É o medo de apanhar. Para termos êxito na cura espiritual, temos de enfrentar o “valentão” ou “o homem forte”, como explicou Jesus. O que intimida, ou faz o “bullying”, não é necessariamente a doença, a luta, ou a desgraça que clama por mais atenção.

Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, em uma frase definiu o efeito intimidador, o efeito “bullying”, do mal. Ela o chamou de “magnetismo animal maligno” e serve para designar as inúmeras formas através das quais o mal pretende agir , oculto ou flagrante, para deter, destruir e impedir que a saúde, a vida e a paz sejam a norma. Ele pode ser muito sutil, tal como a experiência em minha família, onde nenhuma evidência externa de algo maligno era aparente, mas o efeito ficou evidente, assim que reconhecido. Ou ele pode ser flagrante, como nos atos de vingança, calúnia, maldições, assassinatos, atentados suicidas à bomba, tiroteios nas escolas, ataques terroristas e de “hackers” na Internet. Existem incontáveis oportunidades no mundo de hoje para colocar em evidência as pretensões do magnetismo animal maligno.

Se alguém estiver vivendo uma vida tranquila e raramente enfrenta a maldade descarada, pode ser tentado a pensar: “Não preciso me preocupar com o magnetismo animal. Não é um assunto relevante sobre o qual deva orar”. Mas esse tipo de conclusão é um engano. A divulgação de atos maldosos que ocorrem no mundo é tão disseminada e comumente ouvida hoje em dia, que o medo do mal acontecendo de modo aleatório, inesperado e inevitável prevalece no pensamento do público. Qualquer pessoa, quer esteja vivendo uma vida pacífica ou não, precisa tratar metafisicamente o medo ao mal, mantido e cultivado no pensamento popular coletivo, a fim de se proteger a si mesmo desse mal, bem como as outras pessoas, da mesma forma que aprendi com minha família.

Por mais assustadoras que as pretensões do magnetismo animal maligno pareçam ser, ele não é um poder a ser temido. É uma atitude sinistra da mente carnal, que deve ser exposta e comprovada como irreal. Tal como Jesus ensinou, o diabo é um mentiroso (ver João 8:44). Não importa que forma o mal possa assumir, ele nunca é uma realidade. É uma mentira, mas uma mentira precisa ser reconhecida e exposta para que sua falta de poder possa ser comprovada. A pretensão do magnetismo animal maligno de maquinar, planejar, organizar e provocar o sofrimento na vida de vítimas inocentes é uma dessas mentiras.

A Sra. Eddy aprendeu por experiência própria que não podemos ignorar as pretensões insufladas e egotistas do mal de procurar encontrar e destruir pessoas honestas e suas boas obras. No capítulo “O Apocalipse”, em Ciência e Saúde, que utiliza a visão de João acerca da guerra entre o bem e o mal graficamente ilustrada na Bíblia, no livro do Apocalipse, ela descreve o aspecto do mal que pretende perseguir uma vítima. Ela escreve: “A serpente está perpetuamente junto ao calcanhar da harmonia. Desde o começo até o fim, a serpente persegue com ódio a ideia espiritual” (p. 564). Também: “O autor do Apocalipse vê que aquela antiga serpente, cujo nome é diabo ou mal, está incansavelmente à espera para ferir o calcanhar da verdade e, ao que parece, não deixar vingar o rebento da ideia espiritual, prolífico em saúde, santidade e imortalidade” (p. 563).

CONTINUA…

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