A NATUREZA DO HOMEM

VOCÊ está querendo ser curado? Ser curado muitas vezes é descrito como “tornar-se completo”. Um dos conceitos sanadores mais abrangentes na Ciência Cristã é o da natureza do homem como uma expressão completa, indivisível, de Deus.

Mary Baker Eddy, que apresenta a Ciência divina da cura em sua descoberta da Ciência Cristã, faz uma declaração que é a base de uma compreensão constantemente eficaz sobre a verdadeira natureza do homem. Ela escreve: “Será que o homem não é metafísica e matematicamente o número um, uma unidade,e portanto um algarismo completo, governado e protegido por seu Princípio divino, Deus?”

Considere Deus como o Princípio divino do ser, a própria Vida. Como Deus é o único Criador e é infinito, de um modo individual Seu reflexo necessariamente manifesta, qualitativamente, a totalidade de Seu ser como uma unidade plena ou representativa dEle. Uma unidade implica estar intacto, inteiro, um todo indivisível. Como semelhança de sua origem, cada filho de Deus, de um modo distinto, individual, manifesta a inteireza de Deus, que é Tudo e sabe tudo.

Os problemas corpóreos que queremos curar são os efeitos subjetivos da crença de que o homem é uma máquina pessoal, biológica, composta de diferentes sistemas e órgãos materiais, às vezes saudável, às vezes doente, jovem e depois velho. Estas máquinas podem supostamente ser afligidas em parte; o aparelho digestivo pode estar com defeito, enquanto as funções motoras estão funcionando bem, por exemplo.

Essa noção falsa sobre o homem é o exato oposto do homem verdadeiro, espiritual, à imagem e semelhança de Deus. Cristo Jesus claramente indicou essa verdade, quando disse: “O Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai, porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz”.  E ele disse: “Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo”.

A Sra. Eddy discorre mais amplamente sobre a natureza do homem como reflexo espiritual, quando escreve em Ciência e Saúde: “Deus é o criador do homem, e como o Princípio divino do homem permanece perfeito, a ideia divina ou reflexo, o homem, permanece perfeito. O homem é a expressão do ser de Deus”. E continua mais adiante: “As relações entre Deus e o homem, o Princípio divino e a ideia divina, são indestrutíveis na Ciência e a Ciência não concebe um desgarrar-se da harmonia, nem um retornar à harmonia, mas sustenta que a ordem divina ou lei espiritual, na qual Deus e tudo o que Ele cria são perfeitos e eternos, permaneceu inalterada em sua história eterna”.

Assim como cada número inteiro na matemática, assim também cada um de nós, como expressão individual do Princípio divino, a Vida, tem uma identidade nítida. Temos nosso próprio nicho no plano de todas as coisas – um propósito ordenado pelo Princípio que ninguém mais pode preencher, assim como temos um relacionamento, baseado no Princípio, como todas as outras ideias de Deus. A integridade de cada expressão de Deus é mantida pelo Princípio, Deus.

A verdade espiritual nos reeduca, corrigindo a impressão equivocada quanto ao homem como uma fração, uma germinação material, que se desenvolve para depois se deteriorar. A Verdade revela o estado genuíno do homem como uma imagem completa, que está sempre se desdobrando, de tudo o que constitui o Espírito divino. Uma compreensão da indivisibilidade do homem anula a aceitação impensada da mentira mortal de que a vida é uma troca, que começamos a vida como um bebê incompleto que, apesar de inocente e puro, não tem experiência, sabedoria, discernimento e paciência. Parece que essa criança tem de alterar suas jovens qualidades para poder adquirir aspectos de maior maturidade. No entanto, através da Ciência Cristã, descobrimos que nós e nossos filhos temos o direito divino de expressar inteireza inalterada. O homem reflete a inteireza espiritual como imagem de um Pai-Mãe ilimitado. Essa integridade da verdadeira identidade pode ser demonstrada em nossa experiência à medida que a compreendemos e a vivemos. Uma vez aberto o pensamento a essa possibilidade, através do Cristo, que é a verdadeira ideia de filiação, a demonstração de nossa verdadeira natureza pode começar.

Não pode haver incoerência entre uma unidade individual e o todo que ela representa. Esta dedução tem a autoridade do Cristo, a Verdade, a apoiá-la, e nos investe do poder de adquirir domínio sobre o processo mortal de envelhecimento. À medida que compreendemos o fato espiritual a respeito da integridade do homem, podemos ajudar as crianças a expressarem mais independência e a merecerem confiança, e aqueles “idosos” perceberão que suas capacidades se mantêm constantes e normais, livres de enfraquecimento e decrepitude. Não é necessário abrir mão do entusiasmo para preservar a força, nem da flexibilidade para desfrutar da estabilidade.

O estado intacto, imperturbável, do Espírito divino assegura que o homem como ideia do Espírito também é intacto. Como a fonte é eternamente perfeita, sua manifestação não pode ser nada menos que isso. Tiago disse bem: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tiago 1:17).

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Devido à praticidade que caracteriza a Ciência Cristã, as majestosas verdades espirituais são aplicáveis aos pequenos detalhes da vida diária, até mesmo à cura do que é chamado de simples resfriado. Tive uma cura assim um dia desses, aplicando as verdades contidas neste artigo. Sentia-me muito mal, e estava longe de parecer um todo harmonioso! A ignorância mortal sugeria que eu estava presa num corpo material que podia ter uma parte doente, enquanto o restante estava normal; que eu podia estar bem num dia e doente no outro.

Peguei a Bíblia e ela se abriu em Hebreus, onde li: “Pela fé entendemos que foi o Universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem”. Ótimo, pensei. Pela autoridade da bíblia sei que sou, na verdade, uma ideia, refletindo a substância espiritual, não a material, como parecia. Sou tão pouco sujeita a uma condição material, a um resfriado, quanto o algarismo um na matemática ou a nota dó na escala musical. Percebi que toda ideia é destituída da noção de tempo; ela não existe de acordo com parâmetros temporais, sob diferentes condições em diferentes épocas.

Então refleti em oração sobre a natureza da fonte que determina minha condição imutável. Na Bíblia, no livro de Isaías, o autor pergunta: “Quem na concha de sua mão mediu as águas, e tomou a medida dos céus a palmos? ” (Isaías, 40: 12). Através da oração senti ordem tangível, economia perfeita, onde não pode haver excesso, nem deficiência; senti algo do equilíbrio e da pureza do Princípio divino. Sabia que esse era o Princípio de todo o meu ser, ali mesmo, independente da falsa evidência material em contrário. Deus não podia ser causa de uma parte de mim, fazendo essa parte funcionar normalmente (minha habilidade de me mover estava bem! Minha moralidade estava intacta!), enquanto outra causa governava minha habilidade de respirar. O homem não consiste de muitas partes, mas é um todo íntegro.

Instantaneamente, minha cabeça e peito ficaram desimpedidos. Não foi como se alguma substância houvesse vazado ou tivesse sido expelida. Só sei explicar que foi como se de repente eu tivesse ficado livre de uma ilusão. Num momento o resfriado era uma convicção concreta com o respectivo mal-estar; no momento seguinte não era mais aceito no pensamento nem no corpo. Percebi que o homem, como ideia completa, íntegra, a expressão do Princípio perfeito, é influenciado e governado apenas pelas leis sustentadoras do Princípio, o Amor, não pelas variações da matéria. Perceber a unidade de Deus e o fato de que Sua ideia espiritual está intacta, havia me curado!

Será que uma ideia pura poderia ser parcialmente impura? Será que o Princípio pode ser tanto ordenado quanto caótico? Como Jesus trouxe à percepção humana a noção de que o homem é completo, provando que o homem não é feito de partes materiais, capaz de ver, mas não de ouvir, capaz de amar, mas não de andar. Com visão espiritual Jesus viu que toda a pretensão de fragmentação física é ilusória. As qualidades e atributos de Deus refletidos, os quais constituem o homem espiritual, não devem ser considerados “partes”, mas aspectos de um todo íntegro que nunca dá defeito, nem quebra. Cortes, ossos quebrados, personalidades divididas ou qualquer outra forma de divisibilidade não precisam ser aceitas como o verdadeiro status do homem.

A realidade é, em verdade, unidade espiritual, integridade, à qual nada falta. Como ela é impenetrável, indivisível, o fato científico é que por podermos ver, podemos ouvir. Por podermos ouvir, podemos ser ativos. Por podermos ser ativos, somos inteligentes. Por sermos inteligentes, somos amorosos. Por sermos amorosos, estamos espiritualmente empregados. Por estarmos espiritualmente empregados, somos supridos. O homem é uma ideia composta, completa, e a lei de Deus o mantém e sustenta intacto.

Na verdade, então, não somos uma entidade material governada por um cérebro e composta de partes separada; somos a semelhança completa, intacta e espiritual de Deus. Compreender essa idéia correta sobre o homem tem o efeito prático de restaurar os doentes e os pecadores à integridade. A verdade de que nenhum indivíduo pode ser menos do que completo reforça nosso empenho em expressar mais e mais de nossa superioridade, dada por Deus, sobre as pretensões tanto da matéria quanto do pecado, aqui e agora.

Assim como nós somos a causa de cada aspecto de nosso reflexo num espelho, Deus é a causa de cada aspecto de Seu reflexo, o homem e o universo. O homem, como reflexo, não pode ser parte espiritual e parte material, ou parte mortal e parte imortal. A integridade do Princípio divino é a lei de eliminação destas incoerências ilusórias. O homem é, como a Ciência Cristã ensina, “governado e protegido por seu Princípio divino, Deus”, inteiro, santo, livre da materialidade.

(Extraído de O Arauto da Ciência Cristã – Abril 1995)

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