PARA OBTER A CURA: PONHA SEU PESO NO PRATO CERTO

Quando eu era jovem, meu pai foi transferido para uma pequena cidade num estado distante. Primeiro, a família toda fez a viagem e depois meu pai voltou para completar a mudança. Enquanto ele estava fora, adoeci grave e repentinamente. Logo a seguir, tive febre muito alta e fiquei incapacitada de mover as pernas normalmente.

Embora naquela época minha mãe já estivesse interessada na Ciência Cristã, não lhe ocorreu apoiar-se na Ciência para cura, nessa situação em particular. Assim, lá estava ela—num lugar estranho, sem conhecer ninguém, sem telefone, sem condução e com uma filha desesperadamente doente.

Em pânico, ela correu para uma casa próxima, procurando alguma ajuda. Ficou sabendo que o único médico da comunidade se encontrava a serviço numa cidade vizinha. Foi-lhe assegurado que ele viria logo que possível! A casa na qual ela usou o telefone era uma pensão, e duas senhoras que lá moravam acompanharam-na bondosamente de volta ao lar, para dar apoio à sua nova e assustada vizinha.

Quando elas entraram em meu quarto, encontraram-me delirando em febre, num balbuciar incoerente. Uma das senhoras pôs a mão na minha testa e, cheia de medo, exclamou: “Essa criança está ardendo em febre!” Justamente quando o medo de minha mãe aumentava ainda mais, a outra senhora adiantou-se e calmamente declarou com grande autoridade: “Mas essa criança está perfeitamente bem.”Minha mãe conta-me que cada vez que aquela senhora falava, mamãe sentia o medo diminuindo. A senhora continuou a conversar comigo como se nada houvesse de errado—perguntou-me se eu já vira seu cachorrinho. Bem depressa, conversei coerentemente com ela e logo depois, tranquilamente, adormeci.

Quando o médico chegou, examinou-me e não pôde encontrar nada de errado! Achou que havia ocorrido um engano. Na manhã seguinte eu estava de pé, normalmente, como se nada tivesse acontecido.

Quanto mais mamãe ponderava sobre minha inacreditável cura, mais certa eu sentia de que o que ocorrera estava relacionado com aquela amável vizinha que lhe havia acalmado o medo. Após indagar, ficou sabendo que a senhora era Cientista Cristã—e não somente Cientista Cristã, mas praticista da Ciência Cristã! E foi aquela a primeira cura ocorrida em nossa família.

Bem, por certo a praticista não me dera tratamento pela Ciência Cristã sem ter sido solicitada. Mas obviamente havia lançado o peso de seu próprio pensamento no prato da Verdade e da saúde, esperando somente o bem—em vívido contraste com a outra senhora, que, embora também se preocupando e desejando ajudar, sem querer dera impulso negativo no caso, ao temer desorientadamente o pior e provocar ainda maior medo e pavor no ambiente.

Todos desejamos que o nosso cuidado pelos outros tenha efeito sanador em vez de ser inútil ou, mesmo, nocivo. Portanto, se formos nós o paciente, o praticista, o enfermeiro da Ciência Cristã, ou membros ou amigos da família, é extremamente importante atentarmos para que a influência do nosso pensamento pese em favor da cura e não se torne, inadvertidamente, em obstáculo nalguma situação.

A Srta. Eddy escreve em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “Tua influência para o bem depende do peso que lançares no prato certo da balança”.  E “se os pratos da balança estão bem equilibrados, o tirar um peso de qualquer dos pratos dá preponderância ao outro. Qualquer influência que puseres do lado da matéria, estarás tirando da Mente, que, de outro lado, preponderaria a tudo mais”.

Pode-se usar a metáfora de pratos da balança para representar com ela tanto o pensamento individual como, num sentido mais amplo, a assim chamada consciência humana, a consciência humana coletiva e sua noção atual da natureza da realidade. Num dos pratos da balança estaria o peso da crença material e no outro prato teríamos o peso da compreensão espiritual. A cura ocorre em determinado caso quando, pelo efeito da oração, concentra-se maior peso no prato espiritual—quando o pensamento se apoia com maior vigor na realidade espiritual do que na ilusão material.

Suponha estar você na companhia de um amigo e este sofre de uma alucinação mental. Ele imagina estar com o corpo coberto de aranhas, centenas delas. Está totalmente apavorado e, é lógico, você quer ajudá-lo. Fará o quê? Pegará num matador de moscas e tentará eliminar as aranhas? Ou talvez recomendará um bom inseticida? Irá lamentar-se com ele por estar ele nessa aflição horrível?

Certamente que não! Se você o acompanhasse no sonho e se deixasse se envolver pela ilusão, ficaria incapacitado de ajudá-lo. Portanto, você permanece fora do sonho e desperta seu amigo para a realidade, rompendo o mesmerismo. Você convence seu amigo de que não há nele aranha nenhuma—que toda a cena é mero fruto de uma falsa impressão, que ele está totalmente a salvo. Como estudante de Ciência Cristã, você vai mais além. Afirma que Deus é a Mente de seu amigo—a única Mente. Portanto, seu amigo não está sujeito ao falso medo. Não ocorreria a você cuidar das aranhas. Você sabe que aí não há nenhuma! Ao contrário, enfrenta o problema e elimina a crença insana de estar seu amigo coberto de aranhas. Você lida com a situação ao nível do mesmerismo.

Agora, suponha você estar com um paciente, ser o praticista ou o enfermeiro dele; ou, suponha estar com um ente querido e este sofrendo um ataque cardíaco. Aí, tudo já soa mais real do que imaginárias aranhas, não é mesmo? Assim se dá devido a nossa educação errônea nas crenças materiais. Mas, não é isso também uma ilusão? O homem, como reflexo de Deus, como Sua própria imagem e semelhança, é necessariamente tão incapaz de ter um ataque cardíaco como Deus o é!

No livro de João encontramos as palavras de Cristo Jesus: “O Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; (…) assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo”.

A Vida e a substância do homem são Deus e nesta Vida e substância inclui-se sua saúde. O homem real é emanação divina. Ele expressa a própria perfeição eterna de Deus. O homem não tem condição mortal, material, nem má condição física.

Tudo quanto, de substância ou de ação espirituais foi falsificado no corpo material, está, de fato, perfeito. O conceito errado de coração ou de qualquer outro aspecto do corpo não é, nem um pouco, a verdadeira expressão da Mente. Nós todos refletimos, em formas individuais, a presença sustentadora de Deus, o grande coração do Amor. Como seria possível ao seu paciente ou ente querido sofrer um ataque cardíaco? Você e ele, ambos refletem a Vida. Ambos pertencem a Deus e por Deus são governados. Para Deus não há oposição.

Portanto, veja você, uma crise dessas é uma cena ilusória, pois é uma impossibilidade! E, na medida em que mantivermos o pensamento acima do quadro do sonho mortal, acima da falsa educação de que algo precisa ser feito fisicamente ao coração(como às aranhas, no exemplo anterior), na medida em que permanecermos acima do sentido pessoal errôneo e da falsa responsabilidade—nessa mesma medida lançaremos, de fato, nosso peso no prato certo da balança.

Compreender que um problema é apenas uma falsa pretensão não basta. Saber que é uma falsa pretensão nos conforta e nos prepara para orar ainda mais, mas não basta para efetuar a cura. É preciso continuar o raciocínio em oração, até compreendermos que não existe tal pretensão!

Deus é Tudo—é a única consciência. Como Deus é a Mente divina, Deus expressa Sua sabedoria no homem. Uma vez que a ação criativa da Mente é “saber”, nada se cria—não existe—a não ser que Deus o conheça. O homem, como uma imagem na Mente divina, sabe apenas o que a Mente lhe faz saber pela lei do reflexo. Deus é onipresente, onipotente, onisciente—é Tudo-em-Tudo. Portanto, nada há para proclamar uma pretensão contrária! Como Cristo Jesus o disse, o erro, o mal, é “mentiroso e pai da mentira”. A crença em qualquer forma de materialidade é uma falsidade em si própria, não tem origem nem lugar para existir, não tem ninguém para conhecê-la nem tem nenhum efeito. Ciência e Saúde deixa claro o nada do erro, nas seguintes palavras: “A ilusão, o pecado, a doença e a morte resultam do falso testemunho do sentido material, o qual, de um ponto de vista hipotético fora da distância focal do Espírito infinito, apresenta uma imagem invertida da Mente e da Substância, onde tudo se apresenta de cabeça para baixo”. ”Imagine-se o falso testemunho apresentando uma imagem invertida baseada num suposto ponto de vista fora da distância focal do Espírito infinito!  Está claro que não pode haver aranhas nem pessoa mesmerizada! Não pode haver nenhum ataque cardíaco nem a pretensão de que haja algum! A mente mortal é “mentirosa” e é o “pai da mentira!”.

Raciocinar desse modo em oração e compreender que o indivíduo passa a ser a maioria quando seu pensamento se coaduna com a lei divina, faz a luz do Cristo incidir sobre a situação humana específica e lança nosso peso no prato da cura. Mas os estados de pensamento anteriormente mencionados—o medo, o sentido pessoal, a comiseração, a falsa responsabilidade, a participação mesmérica no erro e a falsa educação nas crenças e leis materiais—lançariam nosso peso em sentido contrário à cura.

Atualmente, o maior impedimento para a cura, no movimento da Ciência Cristã, talvez esteja na tentativa de misturar o tratamento pela Ciência Cristã com remédios materiais. Tal procedimento simplesmente não funciona! O tratamento pela Ciência Cristã afirma que o homem é espiritual. Quando alguém inverte seu curso e procura ao mesmo tempo remédios materiais ou busca diagnóstico médico, está realmente declarando: “Sou material”. Um método anula os efeitos do outro na balança da confiança mental, e a cura fica bloqueada até que a frivolidade de misturar os métodos seja compreendida e abandonada. Alguém pode até atrasar sua cura sem que, de fato, chegue a consultar um médico ou tomar remédios. Se, enquanto alguém recebe tratamento pela Ciência Cristã, mantiver no fundo da consciência a ideia de que, não sendo curado espiritualmente, ainda poderá recorrer à medicina, isto já é suficiente para impedir a cura. Enquanto sua confiança e esperança estiverem divididas entre Deus e a matéria, tal divisão impedirá a pessoa de ter confiança radical no Espírito suficiente para fazer pender a balança para o lado certo. Assim, a fim de efetuar a cura espiritual num caso desses, é preciso negar diretamente a pretensão de que o homem possa ser doutrinado com crenças materiais. Falando cientificamente, a falsa educação que um paciente parece manter em pensamento faz tão pouca parte dele como a doença; e somente necessita ser corajosamente enfrentada e curada.

A atração hipnótica e magnética da falsa crença na morte está entre os métodos da mente carnal que nos induzem a lançar peso no prato errado da balança. Dificilmente alguém aceitaria a ridícula sugestão de que lhe seria melhor estar aleijado ou de que mais fácil seria para ele e para todos se ficasse cego; mas talvez se deixaria levar pela crença mesmérica de que para ele a morte seria uma bênção ou facilitaria as coisas para a sua família. Este tipo de raciocínio predomina na sociedade. Nos hospitais, os pacientes com diagnóstico de doenças terminais, por exemplo, seguidamente acompanham sessões de aconselhamento visando a ajudá-los a aceitar a morte como parte natural da vida. Não obstante, desde o ponto de vista da Ciência Cristã, a morte não pode ser parte da vida. As duas são exatamente opostas. A realidade é a Vida divina e sua expressão; a morte não tem existência—é uma contradição.

A falsa teologia—outro fator importante em impedir a cura – também apoiaria essa pretensão de que a morte é uma amiga que liberta as pessoas do sofrimento e das condições materiais. Mas este ensinamento está em conflito direto com a missão de Cristo Jesus, que superou toda materialidade, inclusive a morte. Se a morte fosse realmente uma amiga, isto contradiria a inspirada declaração de Paulo: “O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque todas as cousas (Cristo) sujeitou debaixo dos seus pés”.

A pretensão mesmérica de que a morte é inevitável e que é remédio a ser buscado, parece especialmente atraente nos casos de idade avançada. Mas o Cientista Cristão esclarecido está alerta e nunca lança seu peso na direção da morte, quer para si quer para outrem. Não temos por meta preservar a vida na matéria, e, sim, compreender a existência espiritual ininterrupta do homem—ver claramente que o homem nunca nasceu na matéria e, portanto, nunca pode morrer na matéria, que ele coexiste com Deus, expressando a eterna vida espiritual. A experiência humana reflete nossa aceitação atual da realidade divina e por isso a situação humana corresponderá de maneira apropriada à nossa compreensão no presente. “Como” não é da nossa preocupação. A nossa responsabilidade é apenas a de lançar todo nosso pensamento no lado da Vida.

Resumindo, podemos relembrar o que foi dito anteriormente: que precisamos não só ver o erro como uma falsa pretensão, mas também, persistir até perceber que, em realidade, não existe tal pretensão. A Sra. Eddy declara: “Dizer que há uma falsa pretensão chamada doença é admitir tudo o que a doença é; pois esta não passa de uma falsa pretensão. Para sermos curados, precisamos perder de vista uma falsa pretensão”.

Referindo-se ao anjo no Apocalipse que “se apresentou com balanças para pesar os pensamentos e ações dos homens”, a Sra. Eddy escreve: “Viestes para serdes pesados; e, no entanto, eu não vos pesarei nem vos farei pesar. Por quê? Porque Deus faz tudo e não há nada no prato oposto da balança. Não há dois pratos—Mente e matéria. Precisamos libertar-nos desse conceito. Da forma como geralmente pensamos, imaginamos que tudo estará bem se lançarmos algo no p           rato da Mente, mas precisamos compreender que a Mente não é pesada com a matéria; somente então estaremos trabalhando de um só lado e em conformidade com a Ciência”.

Não há oposição a Deus. Lemos em Jó: “Se ele resolveu alguma cousa, quem o pode dissuadir? O que ele deseja, isso fará”.  Frente à totalidade, não pode haver lado oposto—nada no prato oposto da balança! Que não existe nada no prato oposto da balança fica provado, em certo grau, cada vez que uma cura acontece por meio da oração na Ciência Cristã.

(De O Arauto da Ciência Cristã)

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